Modismos corporativos - "pessoas que gostam de rock são melhores líderes"

Fuja dos modismos corporativos

Foto: Reprodução Lookbook Liz Sampson

Essa matéria começa com uma breve historinha. Quinta-feira, manhã ensolarada na janela, de um dia no qual habitualmente escrevo os textos que envio para o Vila Mulher, mas uma imensa dúvida sobre o que escrever. É sempre assim, quem escreve se expressa pelo seu texto, mas não pode ser qualquer texto, qualquer coisa, e a escolha do tema é algo de grande importância.

E no meio disso, ainda acordando, fui salvo por uma notícia postada no twitter. Li uma vez, depois outra sem acreditar no que estava ali afirmado. Exatamente assim: "Pessoas que gostam de rock resultam em melhores líderes, pois são mais antenadas, afirma especialista em recrutamento e seleção".

O susto me acordou de vez, afastando a natural indisposição de uma noite de pouquíssimas horas de sono, para em seguida trazer o alívio: aqui está, pensei, é sobre isso que escreverei.

Ao chegar ao escritório, pensando sobre a "ciência" que deve ter embasado a afirmativa, decidi elaborar uma lista objetiva que traga reflexão e blindagem para que as pessoas possam se proteger desse bobajal corporativo sem sentido.

Vamos lá:

1) Contratar profissionais executivos é atividade séria, e de alto risco. Não pode estar sujeito a superficialidades, ou a modinhas de ocasião. Trata-se de um processo importantíssimo que não pode estar ancorado em preconceitos comportamentais desse tamanho;

2) Pessoas "antenadas" são forjadas por curiosidade intelectual, por cultura geral, por conhecimento do processo histórico, com farta e diversificada leitura, por não alienação, por coragem em pensar por conta própria, pela fuga aos "lugares comuns", pelo cultivo de um senso crítico apurado;

3) Precisamos com urgência fugir e renegar esse teatro sem sentido, que não atrai nem líderes, nem bons técnicos, e muito menos gente séria e comprometida;

4) Ao se deparar com modinhas e novidades gerenciais jogadas para a plateia, duvide, sempre;

5) Tenha coragem de questionar padrões comumente aceitos e praticados;

6) Não é necessário exagerar, mas um pouco de ceticismo ajuda e protege muito;


7) Busque solidez nos conceitos, e não perca tempo com a inovação pela inovação.

Boa sorte e até a próxima!

Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial, empresa que atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.

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