Mito do desempregado após os 40 começa a cair

Mito do desempregado após os 40 começa a cair

Esqueça aquela ideia de que os avós eram aposentados e passavam o dia todo dentro de casa assistindo televisão. Ao contrário de alguns anos atrás, os profissionais que já passaram dos 40 anos estão sendo mais contratados pelas empresas. Segundo o IBGE, a participação de indivíduos mais maduros e ocupados no mercado vem crescendo e chegou a 40,1 em 2006.

A recolocação profissional dessas pessoas se deve a uma mudança nas próprias empresas. Geralmente esses profissionais possuem uma maior segurança para assumir e correr riscos, resultante de uma maior bagagem e experiência com situações similares vividas anteriormente.

"A confiança no processo de tomada de decisão em geral é uma grande vantagem destes profissionais, pois representa ganhos diretos em praticidade, principalmente em atividades como o gerenciamento ou acompanhamento de projetos que exigem maior agilidade, estratégia e visão holística", afirmou a psicóloga Elayne Hungria, que trabalha em parceria com a instituição SESI/SENAI Goiás na orientação e desenvolvimento de talentos empresariais. E essa mesma experiência faz dos profissionais com mais de 40 mais preparados, o que poupa as instituições de investir em treinamento.

Além disso, tais indivíduos costumam ser fiéis, valorizar mais seus empregos e as empresas onde trabalham. "Em alguns casos específicos esta mesma experiência contará como um ganho na imagem repassada pelo profissional, como sendo de maior seriedade e comprometimento", disse a especialista.

Todas essas vantagens atraem em especial empresas de pequeno e médio porte, e não é à toa. Afinal, elas precisam de pessoas que já saibam lidar com o trabalho. Por incrível que pareça, faltam profissionais qualificados em diversas áreas, e quem já passou dos 40 e teve outros empregos pode ter o perfil ideal para cargos de chefia e de liderança, nos quais é preciso ser corajoso e responsável.

Mas não são todas as empresas que estão valorizando mais o trabalhador maduro. Algumas, geralmente muito tradicionais, ainda preferem investir em novos talentos. Segundo Elayne, atualmente convivemos com uma grande ascensão de jovens e talentosas gerações de profissionais liberais e executivos. "Isso de certo modo expõe estes profissionais com mais de 40 anos a um crivo muito maior em função de julgamentos substanciais e estereotipados." É o velho mito de que um profissional com mais idade é desatualizado, inflexível ou obsoleto, além de ser uma mão-de-obra mais cara.

No entanto, muitos quarentões, cinquentões e etc. estão rompendo paradigmas e conseguindo uma recolocação no mercado. O principal desafio deles é a atualização, pois as relações de trabalho já não funcionam como antigamente. Hoje são mais ágeis e rápidas, o que exige profissionais que acompanhem tantas mudanças.

Ela lembra que o mais importante é não se estagnar e estar satisfeito com aquilo que se faz. "Imaginar que a todo o momento haverá novas oportunidades de atualização e conhecimento que irão beneficiar os profissionais que estão na dinâmica do mercado".

Abaixo, confira algumas dicas de Elayne para quem está na meia idade e deseja arrumar um bom emprego:

- Auxilio por meio de consultorias de carreira especializadas;

- Coaching;

- Estabelecer e manter contatos: o networking é considerado um dos mais poderosos meios de recolocação e entrada no mercado de trabalho;

- Cursos e capacitações: MBAs, especializações e capacitações são um diferencial;

- Acompanhamento do mercado: estar de olho naquilo que as empresas buscam, quais os setores da economia são mais promissores, avaliar as oportunidades e se beneficiar delas;

- Internet e inovações tecnológicas: fazer uso de redes sociais virtuais especializadas na troca de contatos profissionais (como o LinkedIn). Conhecer as ferramentas de comunicação em geral e quais benefícios elas poderão trazer;

- Explorar os trabalhos em equipe: profissionais bem sucedidos passam necessariamente pelo conhecimento e experiência de trabalhos desenvolvidos em conjunto, afinal todos nós vivemos em sociedade;


- Desenvolver as competências comportamentais e funcionais: a dinâmica do universo corporativo exige, acima de tudo, profissionais que sejam capazes de desenvolver além do conhecimento técnico, o comportamental e funcional, beneficiando o sucesso de seu trabalho;

- Ser flexível: flexibilidade para aderir às oportunidades e adaptar-se às mudanças é fundamental.

- Evitar os perfis negativos: trabalhar os pontos fracos de modo a se permitir ser visto como alguém agradável e com uma postura enérgica, autogestora e confiável.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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