Metacompetência - O que vem depois?

Nos últimos tempos uma nova expressão ganha espaço no universo corporativo, "Metacompetência". Segundo especialistas, esse estado de super competência é atingido quando as expectativas sobre determinado desempenho são superadas, quando desconhecidas habilidades surpreendem os gestores, resultando num quadro de êxitos além do esperado.

Ao me inteirar sobre o novo clichê, compartilhei o conceito com um legendário executivo da indústria automobilística, dotado de um singular histórico de realizações, numa época onde reservas de tecnologia, hiperinflação e status de país caloteiro da dívida externa faziam parte do cotidiano corporativo brasileiro.

Pensativo, fez um breve balanço de seu histórico, concluindo que de fato superou expectativas e que colocou a serviço das empresas para as quais trabalhou habilidades pessoais surpreendentes que nem mesmo ele conhecia. Tudo motivado pelo desespero da sobrevivência empresarial numa época de caos político e econômico.

Depois disso, com uma expressão divertida questionou para em seguida responder. "Então eu fui um metacompetente sem saber? Sempre me considerei, digamos... simplesmente competente".

Para esclarecer isso, conversamos com Ricardo Komatsu, especialista em recrutamento e seleção de executivos, diretor da NET Co. Executive Search.

Plataforma Brasil: Ricardo, o universo de exigências comportamentais sobre os executivos cresce o tempo todo. O glossário de expressões que resumem essa situação é extenso: Liderança; liderança holística, depois agentes de mudanças, logo em seguida agentes de transformação, líderes colaborativos; agregadores interpessoais e agora metacompetência. O que vem depois?

Ricardo Komatsu: O que vem depois? Bom, certamente muito mais novidades.

Mas antes de falar das tendências, comento que no mundo corporativo sempre haverá modismos de nomenclaturas relacionadas às competências pessoais, como por exemplo, estas comentadas anteriormente. No meu ponto de vista a criação destes nomes é a simples manifestação do meio corporativo em querer transmitir o momento do mercado e suas necessidades, dado que necessidades empresariais têm como base pessoas e conseqüentemente competências. Sendo assim, na medida em que ocorrem as alterações nas exigências do mercado, novos nomes relacionados a competências surgirão.

Agora, voltando a pergunta sobre "O que vem depois?" A "carreira sem fronteiras", um novo formato de conduzir a trajetória profissional. Aliás este movimento comportamental já acontece com freqüência com estagiários, "trainees" e analistas. Esta tendência mundial vai mudar muito a concepção daquilo que entendemos como carreira atualmente.

Imagine um profissional: Luiz, brasileiro, 32 anos, casado, que atua como consultor em um projeto global sediado na Índia. Este projeto é conduzido em conjunto com outros consultores do Japão e da Alemanha. Luiz trabalha no seu "home Office", porém nesta semana ele estará em Boston durante 3 semanas visitando clientes, após isso ele viajará para Angola em um projeto de uma outra empresa na qual também é sócio. Imaginou? Então esse é um bom exemplo de carreira sem fronteiras. Luiz gosta do que faz, tem liberdade de tempo e autonomia para apostar nas suas ideias, criando soluções sem fronteiras.


Em resposta a esta tendência, grandes corporações estão fragmentando suas operações e muitas vezes terceirizando parte de suas áreas de apoio para focarem apenas no "core business" da empresa. Se isso se confirmar, o desenvolvimento de carreiras dentro das organizações deixará de existir no formato que conhecemos hoje.

Por fim, em breve veremos mais uma denominação ou clichê sendo criado, pode ter certeza que refletirá as competências direcionadas com a gestão de projetos. Agora convenhamos, para entender o que vem depois só sendo metacompetente.

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador e publisher da Plataforma Brasil, especializada em informações e conteúdos de inteligência empresarial. www.pbrasilnet.com.br

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