Mentiras no currículo

Mentiras no currículo

Conseguir um bom emprego não é fácil. Por isso, muitas pessoas apelam para as medidas mais desesperadas na hora de disputar uma vaga no mercado de trabalho. Algumas até mentem na entrevista ou no currículo.

"Geralmente, o candidato conta mentiras por ter algo negativo em sua carreira ou pela intenção de evidenciar uma exigência do mercado que ele não tem. Psicologicamente, entende-se que o ato de mentir é ocasionado por uma situação de insegurança. Isso não comprova que a pessoa age desta forma em todas as situações da vida, mas sim em um momento em que está inseguro. Mas isso não justifica a mentira", afirma Daniella Correa, consultora de Recursos Humanos da Catho Online.

De acordo com ela, é provável que o selecionador identifique as lorotas quanto testar as habilidades do candidato. Isso pode acontecer durante entrevistas ou dinâmicas de grupo. "O candidato deve ter em mente que todos os pré-requisitos de uma vaga serão, uma hora ou outra, testados. Ao mentir, ele poderá queimar uma oportunidade, já que ninguém consegue ocultar certas deficiências por muito tempo no ambiente de trabalho", conta Daniella.

As mentiras costumam aparecer em experiências anteriores ou na qualificação dos candidatos. "O mais comum é a inserção de cursos e experiências que o candidato não possui, ou até mesmo que o seu nível de conhecimento é menor do que o mencionado", diz Daniella. Isso vale bem para cursos de idiomas, cursos de informática e experiências não comprovadas.

Mas, há casos em que o recrutador não chega a desbancar o mentiroso. No entanto, mesmo que o ele consiga a vaga de emprego, correrá o risco de ser desmascarado a qualquer momento. "Mesmo que a mentira não seja identificada na entrevista, será difícil para o profissional mantê-la no dia a dia, afinal ele será cobrado por estes conhecimentos e capacidades", diz a consultora.

Embora a mentira não seja recomendável, algumas informações que são objeto de preconceito podem ser omitidas. De acordo com a pesquisa "A Contratação, a Demissão e a Carreira dos Executivos Brasileiros", realizada em 2009 pela Catho, os fumantes sofrem muita objeção por mais da metade dos entrevistadores (média de 51,3%). Quem fica pouco tempo nos empregos também é alvo de grande objeção (47,7%), assim como os profissionais com idade superior a 60 anos (31,3%) e os aposentados (28,9%).

"O candidato não deve mentir nunca. Ele poderá omitir informações para evitar pré-conceitos. Assim, no momento da entrevista será possível esclarecer melhor um determinado ponto, como faixa etária, tempo fora do mercado, negócio paralelo, entre outros", orienta Daniella.

Em qualquer caso, a melhor saída é sempre a verdade. O candidato pode se tornar mais competitivo tornando seu currículo mais objetivo, realizando cursos e se apresentando de maneira conveniente numa entrevista.

As mentiras mais recorrentes nos currículos:

- idade errada (para parecer mais experiente ou driblar possível preconceito do mercado de trabalho)

- mentir sobre onde mora (em caso de vagas que exigem que se resida próximo ao trabalho)

- listar cursos que não fez

- indicar fluência em língua que não domina


- mentir sobre o passado profissional (empresas que trabalhou ou cargos que teve)

- mentir sobre o motivo de desligamento do emprego anterior (não contar que foi demitido por justa causa, por exemplo)

Por Priscilla Nery (MBPress)

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