Menos mulheres na liderança, porque?

Liderança feminina

Foto - Rob Lewine/Tetra Images/Corbis

Recentemente, um estudo feito pelo Grupo de Pesquisas de Direito e Gênero da Escola de Direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em São Paulo, concluiu que apenas 8% dos cargos executivos de companhias instaladas no Brasil são ocupados por mulheres. Essa pesquisa foi realizada a partir da análise de mais de 73 mil cargos de 837 diferentes empresas de capital aberto no país.

Só esses resultados já são mais do que suficientes para esclarecermos a precária situação da mulher no mercado de trabalho. Não temos liderança feminina, mas por que isso acontece?

O mesmo estudo da FGV desponta o preconceito como um dos principais motivos pela fraca presença feminina nas diretorias das empresas, seguido da falta de estrutura institucional oferecida (creches, babás, maior licença maternidade).

"O velho preconceito muitas vezes está dentro de casa, no pai, na mãe, no marido, que resistem à ideia da mulher ficar mais tempo fora de casa", afirma Roselake Leiros, consultora palestrante especializada em comportamento humano. E continua: "É importante que as mulheres confiem cada vez mais nas suas capacidades e reivindiquem direitos importantes como creches, boas colocações e salários iguais aos dos homens na mesma função".

Apesar de dados do Business Report 2013, da consultoria Grant Thornton, revelarem a porcentagem de mulheres nos cargos de presidentes, vice-presidentes e diretores CEOs como 24% no mercado mundial e 23% especificamente no Brasil, isso representa mais quando elas são as empreendedoras do negócio do que em empresas no geral.

De acordo com Rita Ritz, especialista em desenvolvimento organizacional da IBE-FGV: "Temos mais mulheres em cargos de gestão quando elas são as empreendedoras do negócio, ou seja, quando são as donas do negócio. E este nicho está crescendo, não só pela falta de possibilidade de atuação em cargos de gestão nas empresas, como também pela dificuldade em conciliar o papel de mãe e de profissional executiva".

Países europeus como Suécia e Noruega já estão propiciando condições de trabalho adequadas às mulheres, partindo do pressuposto que ambos, homens e mulheres, têm outros compromissos e demandas além do trabalho.

No entanto, essa iniciativa ainda não partiu no Brasil. "As empresas poderiam contar, por exemplo, com incentivos tributários para oferecer uma jornada parcial de trabalho, de 4 ou 6 horas. Poderiam ser incentivadas a ter creches dentro da empresa. O papel do Estado nessa questão é fundamental, pois sem incentivos as empresas não conseguem empreender estas adequações", alerta Rita.

Chegar aonde chegamos não foi fácil. Porém, como ressalta Roselake: "Continuemos a avançar cada vez mais, reconhecendo o nosso infinito poder de lutar e vencer pelos nossos direitos".

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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