Melhores empresas para mulheres

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Sandra Costa e Janete Vaz (foto Cristiano Silva / Divulgação Laboratório Sabin)

Todo ano sai uma lista diferente, que elege as melhores empresas para se trabalhar. Entre os critérios estão sempre o valor dado ao funcionário, os benefícios, o respeito por aquele que é a força base de qualquer organização. De uns tempos pra cá, essas listagens pararam para observar um movimento interessante, das empresas que se preocupam com a parcela feminina do seu corpo de funcionários. E os benefícios não ficam apenas no salário-maternidade ou auxílio creche.

O Instituto Great Place to Work, que faz há 12 anos uma pesquisa sobre as melhores empresas para se trabalhar, lista também aquelas que melhor tratam as mulheres. E o que as 25 listadas têm em como é o investimento contínuo para garantir a ascensão profissional das mulheres, oferecendo incentivos e programas especiais, associados às praticas de gestão específicas para o universo delas.

Entre essas práticas estão políticas de contratação com igualdade de condições, programas de saúde especiais - para prevenção ao câncer de mama ou gestantes - ampliação da licença maternidade e plano de carreira diferenciado, além de programas de diversidade e inclusão.

No meio de tanta coisa positiva, destaque para as práticas adotadas pelo Laboratório Sabin, de Brasília, o primeiro colocado na lista das 25 melhores de 2008. Lá, as mulheres têm auxílio-babá para os filhos com até um ano de idade, salão de beleza com 10% de desconto em folha, empréstimos para compras de carros e imóveis e até salário mínimo adicional para gestantes. E até quem vai casar ganha presente da empresa: um salário mínimo e o “Dia da Noiva” em um spa.


Liderado por duas mulheres, Janete Vaz e Sandra Costa, e com um corpo feminino de 74% do total dos funcionários, o Sabin tem elas como maioria nos cargos de chefia. Janete Vaz, a diretora administrativa, ressalta que o que faz do laboratório uma das melhores empresas para a mulher são exatamente características do sexo feminino: tratar a todos como se fosse uma família, acolher, ensinar, fazer junto, corrigir e depois festejar. “Somos persistentes, temos muita força de vontade e determinação, rapidez nas respostas e a flexibilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo”, diz.

Segundo Sandra, diretora técnica do Sabin, o número alto de mulheres não foi uma escolha da empresa. “Aconteceu naturalmente, já que o perfil feminino se adequa melhor ao mercado de trabalho que estamos inseridas. Normalmente são as mulheres que cuidam da saúde da família. E é reflexo também do número de mulheres que estão nas faculdades de bioquímica, muito superior a dos homens”.

O interessante da pesquisa do Great Place to Work é perceber que as práticas diferenciais são benefícios destinados principalmente às mulheres mães. Se antigamente o impacto da maternidade era objeto de apreensão das profissionais que associavam gestação a estagnação profissional, hoje o quadro é outro. “Os gestores das melhores empresas passaram a associar maternidade com desenvolvimento de competências valorizadas pelas organizações, como empatia, paciência, humanidade, habilidade em trabalhar em equipe, capacidade de delegar e negociar”, afirma José Tolovi Jr., fundador e presidente do instituto. Segundo ele, as melhores empresas reconhecem que a maternidade traz maturidade à mulher e reforça a capacidade de liderar.

Conforme os dados gerais da pesquisa, apenas oito empresas, das 100 eleitas a melhores para se trabalhar, tem mulheres na presidência - e cerca de 20% adoram práticas diferenciadas de gestão - mostrando que muitas barreiras ainda precisam ser derrubadas. Além do Sabin, a Microsoft e a Recofarma (fábrica da Coca-cola em Manaus) completam o trio de melhores para as mulheres.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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