Melhor idade no mercado de trabalho

Melhor idade no mercado de trabalho

Quem acompanha um dia de trabalho da paulistana Sonia Rodrigues como secretária em um consultório médico na capital paulista tem a impressão de que ela tem anos de experiência profissional. Suas tarefas são desempenhadas diariamente em uma jornada que alcança cerca de 30 horas semanais. É ela a responsável por marcar consultas e retornos e confirmar os pacientes do dia seguinte para três médicas e uma nutricionista. Também organiza o fechamento do mês, faz serviço bancário e lança o faturamento diário no livro. Para tudo isso, ela conta com a tecnologia e, basicamente, resolve tudo por meio da tela do computador. Detalhe: Sonia está às vésperas de completar 60 anos e nunca, a não ser desde o último ano e meio, havia saído de casa para trabalhar. Agora, ela dá o exemplo de que nunca é tarde para alcançar o sucesso profissional!

"Desde solteira eu sempre tive o desejo de trabalhar, ganhar meu próprio dinheiro, mas meu pai não permitia por achar que nada me faltava em casa", diz Sonia que formou-se como professora, casou-se aos 21 anos e, aos 26, já tinha 3 filhos para cuidar, fora o marido e a casa. Acabou virando mãe e esposa profissional, sem direito a férias ou fundo de garantia. "Os anos foram se passando e eu nunca encontrava tempo para me dedicar a algum tipo de trabalho que não fossem os afazeres domésticos. Mas meus filhos foram crescendo, ficando independentes, se casaram. Meu marido aposentou-se e eu conclui que havia chegado a minha vez de conseguir fazer o que eu sempre quis, sem dor na consciência".

Ela não sabia bem no quê iria trabalhar. Sabia, porém, que aprenderia o que fosse preciso para obter sucesso na empreitada. "Vendedora, recepcionista, secretária... Estava disposta a empregos que me ocupassem por meio período, já que eu ainda teria de organizar o bom funcionamento doméstico durante o resto do dia. E assim surgiu a oportunidade de trabalhar como secretária em consultório médico".

Recompensa

Sonia conta que aprendeu tudo sobre seu trabalho com suas chefes médicas e descobriu que quanto mais aprende mais deve obter conhecimento. Mais do que o salário que recebe, o qual aprendeu a olhar com olhos de investidor, ela diz que ganhou uma recompensa ainda maior. "Passei a acreditar mais em mim. Em termos domésticos, consegui me organizar melhor, não deixando de fazer nada do que fazia. Antes de vir para o trabalho deixo tudo organizado para o meu marido. Agora aposentado, ele também colabora para que eu não precise ficar o tempo todo ao seu dispor. Os amigos, comecei a cultivá-los, me posicionando melhor em relação aos assuntos mais diversos".


Planos profissionais futuros? Sonia diz que enquanto tiver disposição e saúde, permanecerá na ativa, aprendendo e aproveitando as oportunidades no trabalho. E para aquelas que ainda dependem de ânimo para começar, ela dá um recado. "Sempre há pessoas dizendo que você vai começar a fazer a coisa errada na hora errada... Bobagem. O importante é não desistir e não renunciar a nada que lhe dê prazer. Mesmo porque continuamos a ser mães, esposas e, agora, no meu caso, também avó".

Por Adriana Cocco

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