Medo de tirar férias?

Medo de tirar férias

As férias fazem parte do momento mais esperado do ano pela maioria dos profissionais. Descansar um pouco, relaxar, tirar a cabeça do escritório e curtir uma boa praia ou um lugar mais frio. Paraíso e recompensa, numa tacada só. Mas, acredite, há quem tenha medo de sair de férias.

"E se quando eu voltar meu emprego não estiver me esperando?" ou "E se ninguém conseguir se virar sem mim e aquilo virar um caos?" são algumas das dúvidas que surgem na cabeça de sofre de fobia de férias, numa tradução livre do termo em inglês vacationphobia. Esse mal, muito mais comum do que se imagina, é mais uma das consequências do estresse do trabalho.

Os motivos pelos quais o funcionário decide não tirar férias podem ser vários. "Um dos deles é a insegurança. O indivíduo cria a ideia de que pode ser substituído e, com isso, teme deixar sua posição na empresa. Outro motivo é a autovalorização. O empregado se considera mais importante do que realmente é", explica a psicóloga Tânia Margot Klein, do Serviços de Fisioterapia do Trabalho (SEFIT), em Curitiba.

Ela ainda conta que a fobia pode acontecer quando, em algumas situações, realmente está havendo corte de funcionários na empresa, deixando alguns dos colaboradores com as tarefas dos antigos. "Nesse caso, não tirar férias pode sim deixar a imagem de ‘dedicado’ ao colaborador sobrecarregado", esclarece.

Esse medo deve ser evitado porque as férias são mesmo muito importantes, para qualquer profissional. Segundo Tânia, mudando um pouco a rotina diária, o nível de estresse diminui - e esse é o papel das férias. "Com as férias, há o descanso da mente e a renovação das emoções", diz a psicóloga. "Sem esse descanso, o indivíduo pode comprometer o emocional e o físico".

As empresas também podem possibilitar meios para que os profissionais se sintam mais à vontade e mais seguros para tirarem esse descanso. "Políticas corporativas claras, prática de feedback e conscientização sobre o real valor do colaborador dentro da empresa podem deixá-los mais seguros com relação às férias", observa Tânia.

Se sair durante 30 dias te assombra, você pode tentar dividir essas férias em duas partes, se possível - 15 dias em janeiro e mais 15 em julho, por exemplo. "Desta forma você diminui o tempo de ausência", sugere a psicóloga. Mas mesmo assim, tome cuidado. Se ausentar da empresa não quer dizer que você realmente conseguiu focar a mente no descanso. "A pessoa precisa sair da rotina. De nada adianta quebrar o período e deixar o celular ligado, verificar e-mails a cada hora, não se ‘desligar’ realmente do trabalho", alerta.


E quem já tem essa doença? Além de se organizar para que o retorno possa ser sem traumas, a especialista afirma que um bom começo é procurar outras atividades, mais prazerosas e relaxantes para realizar. Algumas dicas são sair para caminhar, andar no parque com as crianças, ou mesmo sair para ver um filme. Essas são atividades que, mesmo durante o corre-corre do dia-a-dia, ajudam a quebrar a rotina, com ou sem férias.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

Comente