Médicas sem fronteiras

Mulheres sem fronteiras

Rachel Esteves Soeiro, médica que esteve recentemente no Níger. Foto: Reprodução Facebook

Há pessoas que dedicam seu tempo e abrem mão de benefícios financeiros para ajudar aqueles que mais necessitam. Um bom exemplo são os profissionais "sem fronteira", enfermeiros, terapeutas, dançarinos, repórteres etc. Certamente os mais conhecidos entre eles são os médicos, liderados pela ONG Médicos Sem Fronteiras.

A Organização conta com cerca de 22 mil profissionais de diferentes áreas e de 65 nacionalidades. Eles atuam em regiões afetadas por desastres naturais, conflitos, epidemias, combate a doenças negligenciadas e fome. Oferecer cuidados de saúde em situações de crise é a base do trabalho da MSF, além de também se fazer presente em locais onde o sistema de saúde não funciona ou não existe.

Os brasileiros estão se interessando mais por este tipo de ajuda humanitária. Em 2009, 48 profissionais embarcaram em missões. Em 2010 este número cresceu 154%, ou seja, 122 pessoas partiram para ajudar pessoas em risco. Especialistas associam este crescimento ao maior interesse da sociedade e do governo em assuntos internacionais.

Dra. Maria Claudia Senatore Soares, 41 anos, é um dos brasileiros integrantes do MSF. A pediatra ingressou na ONG em 2008 e já partiu quatro vezes em missão. A paulista levou seus conhecimentos médicos à população da Etiópia, Bangladesh, Peru e Somalilândia. As missões organizadas pela ONG não têm um prazo pré-determinado para encerramento, elas somente chegam ao fim quando a fase de risco é sanada. Maria Claudia nos conta que os profissionais permanecem por três meses em cada missão, depois são substituídos por outros colegas.

Ao ser questionada sobre o que lhe motivou a embarcar nestas missões ela foi categórica: "Foi a necessidade de fazer algo para ajudar o próximo". Mesmo com toda a dificuldade encontrada ela garante que nunca teve vontade de desistir. "O alojamento em que estive na Etiópia não contava com banheiro ou chuveiro, tudo tinha de ser improvisado", conta a pediatra. "Todo o equipamento de saúde necessário é levado ao local pelo MSF. Lá montamos um espaço que funciona como um posto de saúde", completa.

No país africano, o projeto visava atender a crianças de até cinco anos de idade. Os pequenos apresentavam quadro de desnutrição e infecções. "A situação é tão crítica que acabamos atendendo todas as pessoas que chegavam até nós", diz. O tratamento tem como base recuperar a saúde nutricional das crianças, para isso a ONG leva suplementos alimentares aos necessitados.

Maria Claudia lembra que alguns pacientes conquistam um lugarzinho especial em sua memória. "Hanna foi encontrada à beira da estrada com sua mãe, desnutrida e com infecção generalizada. Ela estava quase morta. Levamos mãe e filha para o centro de atendimento. Começamos o tratamento para a desnutrição e infecção. Seu estado era realmente grave, cheguei a dizer à sua mãe que iríamos perdê-la. Para nossa surpresa, aos poucos ela foi se recuperando. Teve alta em pouco mais de um mês", lembra.


Para seguir participando de missões humanitárias, a pediatra conta com a compreensão de seus empregadores. "Chego de viagem já desejando poder voltar a ajudar outras crianças", dispara.

O trabalho é voluntário, porém cada membro recebe uma ajuda de custo. O dinheiro é usado para pagar transporte, alimentação do país de destino e as contas fixas na cidade de origem, aluguel, por exemplo. "Quem desejar fazer expedições de ajuda humanitária deve fazer por amor, não por dinheiro", aconselha. Maria Claudia lembra que trabalhos como esse sempre precisam de mais colaboradores e sugerem que todos conheçam a ONG MSF.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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