Mãe e filha a frente do próprio negócio

Mãe e filha que trabalham juntas

Lúcia Avelar e Rita Avelar. Foto/Arquivo pessoal

Lidar com essa relação já costuma ser difícil no cotidiano das ligações familiares, mas a situação pode ficar ainda mais complexa quando mãe e filha convivem também no ambiente profissional. Então como as duas partes devem proceder quando precisam trabalhar juntas?

Rita Avelar, que mantém a loja de roupas Lúcia Moda & Acessórios com sua mãe, Lúcia, conta que a maior dificuldade é separar o fato de ser mãe e filha como o momento de ser chefe ou empregada. "Quando estamos em família falamos coisas de trabalho e vice-versa. Acabamos juntando uma coisa na outra", explica. Mas para ela, este é um obstáculo que pode ser facilmente superado com uma boa dose de paciência.

A intimidade e proximidade excessiva no ambiente profissional poderiam ser fatores que acarretassem dificuldades na hora de solucionar os problemas do trabalho. Porém, no caso de Rita e sua mãe, essas características acabaram se tornando pontos positivos.

Lúcia conta que entre elas, as linhas de separação entre a relação de mãe e amiga tem traços muito tênues. E no final das contas, isso acaba facilitando na hora da troca de idéias. "A gente é muito amiga desde pequena. Ela cresceu junto com a profissão. Contei para ela todos os desafios antes de ela decidir começar", explica Lúcia.

Ela já está no ramo há 33 anos e Rita, que hoje tem 29 anos, ajuda a mãe desde os 13 quando a loja física ainda não existia. Mas a proposta efetiva de trabalho para a filha foi feita há apenas cinco anos. E, por enquanto, parece não haver arrependimentos na decisão de nenhuma das partes. "A gente sempre foi muito amiga independente de mãe e filha. Só ajudou, já não sei se ela quer se separar de mim", brinca Rita.

Mas nem tudo são rosas - muito menos quando se fala do delicado ambiente profissional - e cedo ou tarde os problemas aparecem. No caso das duas, eles se manifestaram nas diferentes maneiras de pensar. Lúcia, com suas mais de três décadas de experiência, tem idéias mais maduras, porém nem sempre contemporâneas. E Rita, apesar de não ter tanto know-how quanto a mãe, pode trazer à loja conceitos mais jovens e atuais.

Então, para essa dupla de mãe e filha, o que seria um obstáculo se converteu em uma característica útil. As dificuldades apareceram para crescer. "O que temos, às vezes, são opiniões diferentes que se agregam no final. A gente se escuta muito e nossas opiniões se unem", conta Rita.


Lúcia diz, ainda, que essa decisão de arriscar uma empreitada junto com sua filha trouxe muito otimismo em relação ao seu negócio. Isso porque agora ela enxerga perspectivas de que ele seja levado adiante. "Ela se identificou tanto que foi fazer cursos na faculdade de moda e de desenho. Então isso para mim foi o mais gratificante, ver que ela se interessou de verdade pelo assunto. Eu vi que meu trabalho, que tem 33 anos, vai continuar, seja com uma sacola, seja uma loja física", comenta com orgulho.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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