Lugar de mulher é na chefia

Lugar de mulher é na chefia

A conquista do espaço no mercado de trabalho pelas mulheres já é uma discussão ultrapassada, afinal, há alguns anos as mulheres já conquistaram cargos de chefia em empresas grandes pelo mundo todo. O que ainda gera alguns questionamentos importantes para serem lembrados neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, são diferenças salariais e o preconceito que ainda existe em algumas áreas.

Mesmo assim, para a executiva Magui Lins de Castro, sócia da empresa de headhunters CTPartners Brasil e ex-CEO de grandes multinacionais, esses dois problemas não serão suficientes para atrapalhar uma mulher determinada em busca de seus objetivos. Para ela, se algo pode atrapalhar é a culpa de não conseguir desempenhar bem os papéis de esposa, mãe e profissional. Mas até isso tem solução. “Somos executivas até na organização perfeita de nossas casas.”

Em entrevista ao Vila Sucesso, Magui fala do mercado de trabalho e da educação feminina que faz com que algumas mulheres tenham o marido como elemento central da sua existência. “marido não é profissão, é companheiro.”

Ainda existe machismo no mercado de trabalho?

Infelizmente, em algumas áreas, sim. Entretanto, cabe a nós, mulheres, mudarmos a percepção destes homens quanto ao nosso trabalho. Empresas mundiais e de muito sucesso, como a Pepsico, que tem uma mulher indiana no comando, com certeza já revisaram o seu conceito de machismo (se é que um dia elas o tiveram).

Antigamente, em empresas, as mulheres eram apenas as secretárias e isso foi mudando com o tempo. No entanto, as empresas que têm pessoas mais velhas no comando, acostumadas ao jeito antigo de pensar e gerir os negócios, ainda podem ter um ranço machista. Mas, na nova geração, eu duvido muito. Desde a escola que a briga é de igual para igual. Os novos executivos chegam ao mercado de trabalho acostumadíssimos a trabalhar com mulheres, sejam chefes, pares ou subordinadas. Hoje em dia, para os mais jovens, o gênero não é o que conta no mercado de trabalho, mas sim a capacidade do(a) executivo(a) e o seu profissionalismo.

Você acha que existem diferenças entre homens e mulheres durante o trabalho?

Claro que sim. E isso é muito bom! Imagine, se todos fôssemos pasteurizados! Existem diferenças de mulheres para mulheres e de homens para homens. Todos os seres humanos são diferentes, independente do sexo. Um presidente de empresa, independente de ser homem ou mulher, tem que ser um líder focado em resultados, com disposição para escutar a sua empresa, seus subordinados, com visão para conduzir o negócio. Isso é totalmente independente de sexo. Conheço mulheres que ficaram muito duras para chegarem a presidência e conheço outras tantas que, com a doçura que tinham, alcançaram o mesmo objetivo. Personalidade é individual. Ambição não tem sexo.

A emancipação feminina pode ter acarretado para si própria uma sensação de inadequação, um deslocamento social, uma dificuldade para encontrar o seu próprio lugar?

Hoje em dia não mais. Acho que, há 40 anos, talvez sim. As mulheres que hoje trabalham e têm marido e filhos dispõem de todo um esquema de empregadas e babás em casa e o tempo dedicado à família é de muita qualidade.

Será verdade que, para as brasileiras, a conquista de um marido ainda constitui um elemento central da existência, enquanto as européias são muito mais auto-suficientes?

Acho que querer casar, ter família, marido, filhos, é um sonho de toda mulher, independente do país. Já vivi em alguns países e todas querem o mesmo. Crescemos lendo Branca de Neve e o seu príncipe encantado, a pobrezinha da cinderela/gata borralheira salva pelo príncipe encantado, Rapunzel e o seu príncipe encantado e as meninas crescem com a idéia de que príncipes existem. Muitas buscam seus príncipes a vida inteira e nunca o encontram. Na verdade, eu sempre digo, para as amigas que não trabalham, que marido não é profissão, é companheiro. E que seja infinito enquanto dure. Acredito que exista uma busca pelo amor, mas não por um marido hoje em dia. Como diz a música: “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho...”.

A angústia da mulher em tentar corresponder aos diversos papéis sociais - de esposa, mãe, profissional de sucesso, familiar amorosa, cidadã consciente -, que a sobrecarregam, atrapalha profissionalmente? Para você, quais os principais problemas enfrentados por uma mulher que conseguiu o sucesso profissional?

Acho que é exatamente o ponto que você menciona: a culpa de não conseguir desempenhar todos os papéis bem. Como disse antes, se nascemos para termos nossa família, encontrar o príncipe, então o natural é que ficássemos em casa, como princesas, cuidando da família, certo? Errado! Hoje todas queremos sair de casa, ter a nossa independência e a culpa com a família, onde fica? Como não estar perfumada para esperar o príncipe em casa? Dá culpa! Mas, muitas de nós temos esquemas tranqüilos de empregada-babá e a culpa não chega. Somos executivas até na organização perfeita de nossas casas. E desfrutamos nossos príncipes e muitas vezes, sapos, de igual para igual.

Por Larissa Alvarez

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