Internet no ambiente de trabalho

Internet no ambiente de trabalho

As notícias assustam. Na Nova Zelândia, uma mulher foi demitida ao enviar um e-mail todo em letras maiúsculas e vermelhas. Na Suíça, outra perdeu o emprego ao usar o site de relacionamento Facebook em casa. Ela havia se ausentado do trabalho alegando estar muito doente para usar o computador. Na Inglaterra, uma jovem foi mandada embora porque escreveu, também no Facebook, que o emprego era "chato".

Deu para perceber que é preciso cuidado ao usar tudo que a internet proporciona, certo? Muitas empresas tem proibido o acesso a sites como Orkut, MySpace e até a nova coqueluche da web, o Twitter. As que não proíbem esperam bom senso dos funcionários. "Quando autorizado, é preciso compartilhar a responsabilidade com a empresa, usar com cuidado", sugere Janete Teixeira Dias, psicóloga e coordenadora da área de gestão de Carreira da Fiap, instituição de ensino em gestão e tecnologia da informação.

"Hoje as empresas estão inserindo normas para que as pessoas não percam a produtividade por focar a atenção na internet e redes sociais, pois realmente elas perdem a concentração", afirma Sandra Takata, diretora de atendimento e mídia digital da Versátil Comunicação Estratégica, de São Paulo.

Mas, segundo Janete, se esse tipo de site for usado com moderação, pode ser ferramenta para o momento de relaxamento do funcionário, a hora que ele espairece. "As empresas precisam perceber que acessar esse tipo de site pode ajudar na criatividade profissional", opina. Nessa hora de ócio virtual, podem surgir boas ideias e nascer contatos positivos. Sandra não concorda e, nesse caso, não acredita no bom senso. "Acredito no resultado final. É hipócrita você não aceitar a atuação das mídias sociais na vida das pessoas. É preciso acompanhar o desempenho. Funcionários que ficam o tempo todo batendo papo na internet, por exemplo, serão demitidos. Não porque ficaram na web, mas porque seu comprometimento com a empresa é zero".

O grande desafio, de empresas e empregados, é saber encontrar o limite e não abusar. Se você pode usar o Twitter no trabalho, cuidado para não postar toda hora um comentário. Colegas podem ver isso com maus olhos e pode rolar um constrangimento desnecessário. "Tenho visto muitos funcionários falando mal das empresas. Seria interessante que as pessoas tivessem mais cuidado para não postar nada comprometedor sobre o trabalho, ou até mesmo dados confidenciais. Isso pode danificar sua própria imagem, principalmente se for líder ou responder por alguma instituição", pontua Sandra.

Se o chefe é seu colega no Orkut, cuidado redobrado com mensagens. Isso porque esse tipo de rede social é pública e pode deixar você numa situação que seria facilmente evitada se você tomasse cuidado.

Outro alerta vermelho diz respeito ao envio de e-mails no ambiente corporativo. Como está tudo no texto e fica difícil expressar sentimentos, é preciso sinalizar o tom da mensagem. "Carinhas e palavras amenas podem deixar emoções mais explícitas e evitar mal entendidos", sugere Janete. "Cuidado também com o tamanho dos arquivos anexados. Mesmo com a banda larga, não é só o seu e-mail que a pessoa receberá. Se passar de 1 mega, utilize programas disponíveis na própria internet (como yousendit ou 4shared). Eles transferem arquivo grandes e enviam um link por e-mail para o destinatário baixar. Cuidado também com os nomes gravados no seu gerenciador de e-mail. Confira se o destinatário está correto, pois na correria você pode enviar email para a pessoa errada", completa Sandra.


Ainda no ambiente corporativo, bom senso vale também na hora de personalizar o computador. "Se você perceber que todas as máquinas têm a logo da empresa no Desktop, não coloque foto do namorado ou do cachorrinho", indica Janete. É dever da empresa sinalizar as regras, mas é importante apresentar o mínimo de noção", sugere Janete, que é também sócia da Global Coaching. Uma última dica: esteja atento aos erros de pontuação e ortografia. Mesmo sendo ambiente informal, as pessoas não toleram pequenos erros ou deslizes na etiqueta virtual.

Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente