Insegurança ainda atrapalha a carreira de muitas mulheres

Essa tal de insegurança

Foto: Alix Minde/PhotoAlto/Corbis

Por que será que sempre dá aquele frio na barriga quando pensamos em conversar com o chefe para pedir um cargo mais alto? Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria inglesa Institute of Leadership and Management com mais de três mil pessoas essa sensação não tem nada a ver com ansiedade, e sim com insegurança.

Os resultados revelam que somente 30% das mulheres entrevistadas com menos de 30 anos acham que podem angariar cargos de diretoras. Já entre os homens 45% têm certeza de que vai ocupar esse cargo. E mais: 75% das mulheres dizem que as empresas barram suas ascensões. Mas será que esse estudo reflete o cenário é mundial?

Bem, na opinião de Elaine Martins, especialista em coaching executivo para mulheres, a pesquisa abrange apenas as profissionais de países como Inglaterra e EUA. Nesses países é perceptível a preferência do público feminino por abrir mão do estilo multitarefado para buscar profissões e atividades que proporcionem vida além do trabalho.

"Aqui no Brasil é diferente: o sonho das mães de mulheres com menos de 30 anos é vê-las independentes. Além disso, o estímulo de postergar o casamento e os filhos é muito percebido", diz Elaine. "O que se identifica claramente nos programas de trainees, nos quais a faixa etária é de 24 a 27 anos, é a imensa quantidade de mulheres que se predispõe a mudar de cidade ou ser expatriada", completa.

Culturalmente o homem é visto como o todo-poderoso, enquanto a mulher precisa provar que merece ser reconhecida. Conforme explica Elaine, existe uma expectativa quanto ao comportamento das mulheres. Espera-se que elas se comportem de uma determinada maneira e, quando não correspondem a essa expectativa, são criticadas.

"Uma mulher pode ser acusada de ser muito mandona, porque se espera que ela seja colaborativa. Assim, quando é mais decidida, as pessoas se ressentem. Essas qualidades de liderança são distintivos de honra para um homem. Já em uma líder feminina isso é considerado antipático", comenta. "Tudo bem ser decidida, corajosa e focada, desde que seja também colaborativa, cuidadosa e tenha empatia. É o preço que as mulheres têm de pagar e que pode causar esse medo ou tensão."

Outro ponto que gera insegurança, na opinião da especialista, é o excesso de trabalho e o fim da vida pessoal. A maioria dos homens na faixa dos 40 anos ainda não admite que passar o dia todo no escritório e deixar os filhos de lado é problemático, mas as mulheres nessa faixa estão pensando nisso há algum tempo. Já os homens e as mulheres de 20 e poucos anos encaram o trabalho de modo muito mais parecido: querem crescer profissionalmente sem abrir mão da vida pessoal. Não querem trabalhar 16 horas ou mais por dia.

Para driblar a insegurança, Elaine diz que as mulheres precisam parar de lutar contra os homens por altas posições e simplesmente ser melhor do que eles. É assim: elas devem sempre ser mais inteligentes no trabalho, pensar melhor, gerenciar com mais humanidade e ser mais pacientes que os homens. Ao manter suas qualidades femininas, as mulheres podem governar um lugar mais feliz do que qualquer homem. Não importa quem sejam, elas precisam lutar com equilíbrio.

"Muitos dos nossos atributos femininos são exclusivamente nossos. Ou os homens não podem ser como as mulheres (não têm a mesma intuição, por exemplo) ou não querem ser como elas (lembre-se, a empatia não é seu forte — eles dão menos atenção aos sentimentos alheios)", lembra Elaine.

A retomada da segurança na vida profissional pode também estar nas novas tecnologias, mais precisamente nas redes sociais. Elaine explica: "Essa consciência de produtividade à distância será fundamental para disseminar a flexibilidade dentro das empresas."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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