Inimigo Interno - O pior de todos

Já falamos aqui sobre chefes tiranos, lideranças infantis, vaidade descontrolada nos escritórios, colegas desleais, modismos baratos de gestão e todo um conjunto de adversidades presentes no cotidiano corporativo. São, sem a menor dúvida, poderosos obstáculo à paz de espírito no trabalho, à produtividade, em fim, á qualidade de vida.

Esses terríveis inimigos externos são grandes desagregadores e lamentavelmente estão presentes na vida da maioria dos profissionais. Mais do que isso, são fruto de variáveis sobre as quais nem sempre podemos agir. É fato. Mas o que dizer sobre os inimigos internos? Quem seriam? Vou apresentá-los. Como a própria denominação sugere, eles estão dentro de nós mesmos. Alimentados, possivelmente, pela nossa própria incapacidade de reconhecê-los e atuar na sua contenção.

Obviamente não estou aqui sugerindo a busca da perfeição, e afirmo que detesto esses estímulos olímpicos que sugerem perfeição absoluta, atitudes imbatíveis e eliminação total do fracasso. Simplesmente penso que são inatingíveis, e prefiro ter consciência de minhas limitações, a me embriagar com falsas crenças. Somos frágeis e falíveis. E esse é outro fato. Mas também não quero promover a acomodação e, é claro, muito pode ser feito.

Pensando nisso, e conversando com gente inteligentemente consciente que vivencia o caos no ambiente de trabalho, reunimos aqui um conjunto de estados e situações que evidenciam a auto-sabotagem e a inequívoca atuação dos inimigos internos. Vamos lá:

1 - Insegurança:

Você se sente destratada e profissionalmente desrespeitada. Mas diante disso, não reage, nada faz ou manifesta.

2 - Excessiva necessidade de reconhecimento:

O seu trabalho recebe um reconhecimento normal, mas ainda distante das suas expectativas, em resposta, você cria e alimenta fantasias depreciativas a seu próprio respeito.

3 - Supervalorização dos embates profissionais:

No dia-a-dia você entra em discussões absolutamente normais, acaba vivenciando situações acaloradas com colegas e superiores. Ocorrências naturais de quem está trabalhando e produzindo com o mínimo de personalidade e idéias próprias. Mas não para você, que se martiriza pensando nas terríveis conseqüências para a avaliação do seu desempenho interpessoal.

4 - Idealização de comportamentos:

Você sabe que no fundo no fundo são improváveis e até irreais, mas acaba caindo na armadilha de tentar reproduzi-los no seu repertório comportamental. Obviamente em vão. Como resultado, fica frustrada e com um sentimento de incapacidade que cega a possibilidade de ver as coisas como elas efetivamente são; mais simples e imperfeitas, naturalmente.

A lista poderia ser muito maior, mas esses foram citados como aqueles de maior frequência e mais abrangentes. Mas não se desespere, caso identifique alguns deles na sua vida (eu mesmo identifiquei, confesso). A perfeição realmente não existe.


E lembre-se, toda a atenção é pouco. Os inimigos internos em geral são mais fortes e poderosos, justamente por terem a característica de minar a nossa capacidade de reagir, mas também são os mais facilmente controláveis. Eles estão dentro de nós mesmos, e para combatê-los, basta um olhar interno, maturidade e, é claro, coragem.

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador e publisher da Plataforma Brasil, especializada em informações e conteúdos de inteligência empresarial. www.pbrasilnet.com.br

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