Imprevisibilidade Profissional

Sinceramente não conheço nada na vida corporativa tão previsível ou rotineiro do que a própria inconstância. (por favor, ao discordar manifeste-se, adoraria estar errado). Especialistas, articulistas (como eu), gurus e gurus de última hora adoram recomendar comportamentos e atitudes planejadas, no intuito de oferecer algum alento para as pessoas que vivenciam a confusão estabelecida no dia a dia dos escritórios.

A intenção é das melhores e muitas dicas realmente fazem sentido. Mas como lidar com as complicações provocadas pelas mudanças permanentes, pelas reestruturações recorrentes, e regras substituídas por outras antes mesmo de serem assimiladas?

A imprevisibilidade e o acaso inspiram há séculos, artistas, pensadores, intelectuais, escritores e também homens de mercado. O mega investidor George Soros por exemplo, recomenda que o melhor caminho para se entender os mercados é fugir de modelos pré-concebidos, e simplesmente tentar compreender e navegar no caos. Essa sim, segundo ele, é a única certeza previsível. O caos.

O escritor Paul Auster usa a imprevisibilidade da vida, como fonte inspiradora para quase todos os seus romances. Nos seus livros ela é a única certeza permanente. Seria diferente nas nossas vidas profissionais? Eu não acredito nisso. Fico com George Soros e Paul Auster.

Evidentemente que planejamento e disciplina são fundamentais, mas estar preparado para as inconstâncias é vital. Ela sempre estará presente no nosso cotidiano, desafiando planos, compromissos, contratos e articulações de corredor.

É a chefe excelente que de uma hora para outra é demitida. O diretor que conseguiu colocar "a casa" no eixo que motiva a sua equipe em uma sexta-feira, mas que negocia a sua saída no meio da próxima semana. Pode ser a missão que nos foi atribuída que inicialmente não apresenta nenhum atrativo, mas que aos poucos passa a oferecer visibilidade, reconhecimento e abertura para desafios inesperados e agregadores. São os desafios aparentemente insuperáveis, mas que na realidade se mostram possíveis, e existem também aqueles insignificantes no primeiro momento, mas invencíveis na realidade.

Processos de trabalho confirmados em um evento corporativo, que são esquecidos e relegados a um segundo plano poucos dias depois. Promoções prometidas nunca realizadas. Promoções realizadas jamais esperadas.

Enfim, como sabemos e constatamos, trata-se de um cotidiano caótico dominado pelo acaso permanente. Para lidar com ele e com as frustrações que vem na carona, proponho derrubarmos alguns mitos:

1 - Planejamento é importante e fundamental, mas não resolve tudo. Ele precisa existir, mas não pode ser a única "tábua de salvação". É necessário pensar nos planos "B" e "C".

2 - As pessoas mudam, e muitas vezes radicalmente. Somos seres dinâmicos e sujeitos a alterações de humor, comportamentos e concepções de vida, a todo tempo.

3 - A força de vontade e determinação de dirigentes e executivos, não tem o poder de controlar tudo na vida das empresas e organizações. Estas, também são dinâmicas e estão sempre sujeitas a variáveis incontroláveis.

4 - Os processos de comunicação nas organizações, são na maioria das vezes falhos, e nos levam a compreensões equivocadas e díspares sobre os mesmos assuntos.


Para concluir sugiro que não se lamente por essa realidade. Que graça teria se fosse diferente?

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador e publisher da Plataforma Brasil, especializada em informações e conteúdos de inteligência empresarial. www.pbrasilnet.com.br

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