Fofoca no trabalho: não alimente a rádio-peão

Fofoca no trabalho

Rádio-peão ou rádio-corredor, não importa o nome, no mundo corporativo eles representam a velha fofoca. Hoje em dia, o boato que passa de "mão em mão" nos corredores da empresa é levado tão a sério que os setores de comunicação interna sempre ficam atentos para evitar que simples informações se transformem em uma notícia capaz de ultrapassar os muros da empresa.

Há quem diga que às vezes a fofoca pode ter um lado bom, ajuda a saber como é a cultura da empresa e a entender os bastidores de certos projetos. Na opinião do consultor Benjamin Reis, ela nunca é considerada algo positivo. "Toda fofoca é direcionada por quem está levando. Sempre falta alguma informação. É como uma curva que não se enxerga o final. Nunca se sabe o que pode acontecer", ressalta.

Conforme o consultor, há uma boa diferença entre boa informação e fofoca. "Quando se confia na pessoa em que te passou a informação e ela é apenas para uso próprio, pode ser sim uma boa ferramenta. Mas se não tem certeza da notícia é um grande risco confiar no que foi dito", comenta.

O terapeuta argentino Bernardo Stamateas, autor do livro "Gente Tóxica", até estabeleceu as três leis da fofoca: a "Lei da Redução", em que os rumores tendem a encurtar, desaparecendo todos os detalhes; a "Lei da Acentuação", quando se enfatiza certos detalhes e deixando outros de lado e, por fim, a "Lei da Assimilação" , do famoso ditado, "quem conta um conto, aumenta um ponto".

Em tempos de crise e fusões, muitas empresas mantêm internamente a rádio-peão a todo vapor. Para a consultora de etiqueta Célia Leão, que participou do processo de fusão entre os bancos Santander e ABN Amro, em 2007, as dúvidas e boatos que surgem sobre o futuro da empresa, principalmente quando há indícios de cortes, interferem diretamente no andamento do trabalho. Conforme Célia, nesse momento, líderes devem comunicar o que está ocorrendo e os colaboradores podem solicitar informações a eles.

"A expectativa dos colaboradores é muito grande. Qualquer informação mal entendida ou interpretada pode ser um caos. É sempre bom manter as informações bem claras", acrescenta Reis.

Quando a intenção da fofoca é prejudicar alguém, sem dúvida nunca vale a pena alimentar a rede de informações. "Caso se depare com os famosos fofoqueiros de plantão é só não passar a informação para a frente. Apenas responda de forma monossilábica quando ele te contar uma fofoca que, sem dúvida, ele vai se afastar. Vai se dar conta que você também não pode trazer informações da vida alheia", comenta Célia.

O consultor Benjamim também dá a dica. "As piores frases para os fofoqueiros são: Está é velha! Vamos mudar de assunto? Novamente!!! Vai começar tudo de novo?". Porém, se você vira alvo de fofoca, o melhor é ignorar o fato. Para o consultor, a força da fofoca está, principalmente, no esforço de tentar anulá-la. "É como apelido. Se você se importar ele pega".

Se você começa conversas do tipo Ouvi dizer..., Alguém me disse..., Me falaram..., desconfie, às vezes é você mesmo que está virando o fofoqueiro da empresa. "Fofoca é coisa de ser humano pobre de espírito, que não tem nada para falar de si", acrescenta a consultora.

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Bernardo Stamateas compartilha a mesma opinião. "São pessoas que não toleram o silêncio, por isso é importante para eles falar de algo. É, em ultima análise, uma forma de liberar a agressividade reprimida", finaliza.

Por Juliana Lopes

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