Festas corporativas de fim de ano

Festas corporativas de fim de ano

O ano chegou ao seu final. Época de festas e comemorações. É também o período das confraternizações corporativas. Para alguns representam simples festejos, para outros são sinônimo de tensão e insegurança. A explicação para estes extremos se encontra na avalanche de aconselhamentos e orientações disponíveis, que na melhor das intenções, acabam por impor uma doutrina comportamental corporativa insegura e artificial, sempre orientada em agradar e satisfazer as expectativas alheias, ao invés de incentivar e apoiar a atitude e a personalidade.

É fruto do culto cego da hierarquia, do medo da não apreciação, na crença do poder de influência de chefes e diretores que acaba por adquirir um teor quase mitológico, para não dizer fantasioso, onde profissionais são avaliados nos mais insignificantes atos, nas mais banais palavras e posicionamentos proferidos.

Sinceramente, ao longo da minha carreira corporativa, (bem antes de me tornar empresário), nunca observei ou ouvi falar sobre executivos ou executivas que tivessem conquistado ou perdido espaço por conta dessas frivolidades. O contrário porém, sempre observei. Profissionais corajosos e dotados de atitude, são sim, mais respeitados.

Portanto não perca o seu tempo, preocupando-se nas palavras certas, nas frases de efeito, ou no comportamento que lhe disseram que seria o ideal diante dessa ou daquela pessoa. Evidentemente que se deve evitar a deselegância e a grosseria, mas isso é básico.

De resto, sempre, e em qualquer circunstância profissional ou social, seja você mesma. Cultive e coloque a disposição de subordinados, chefes, diretores e presidentes a sua real personalidade. Caso não apreciem, isso não é problema seu. E se isso melindrar seus superiores? Permaneça firme, reconhecimento e respeito são conquistados com o tempo, solidamente.

Para ajudar, elaborei algumas dicas:

1) Você escuta comentários e piadinhas performáticas do seu chefe numa roda de colegas, mas no fundo, enquanto muitos dão risada para agradar, você fica pensando no tempo de vida que está sendo perdido ali, diante de tanta bobagem. Reação: Escute, mantendo um ar sereno, mas caso se sinta ofendida, reaja com calma e segurança expondo o seu ponto de vista, sem se preocupar com a repercussão.

2) Um chefe ou colega engraçadinho e embalado pelo álcool, aproveita a oportunidade para ser inconveniente e se aproxima de forma invasiva (um prelúdio de assédio sexual). Reação: Olhe firme nos olhos do fulano e pergunte claramente qual é o problema, e em seguida afirme que ele está sendo extremamente inconveniente. E não se esqueça de não disfarçar o incômodo. Seja firme, e tenha certeza de que isso nunca mais vai acontecer.

3) As pessoas estão jogando conversa fora, e você sem nada para dizer, mas no fundo percebe que falam por falar, preocupadas em exposição e performance individual. Reação: Se você não tem nada para dizer, não tente inventar algo simplesmente para participar da conversa. Simplesmente não diga nada, e atue como observadora.

4) Sorri ou rir quando convém é bom e causa ótima impressão, mas como já diz o verso "rir demais é desespero". Sorria ou ofereça as suas risadas (com parcimônia) apenas quando total sinceridade, genuinamente.

5) Quando se expressar, espere a sua vez em interromper os outros interlocutores e empenhe um tom ou volume mediano, longe do elevado, mas sem ser baixo ao ponto de não ser escutada. E aconteça o que acontecer, mantenha o mesmo volume. Isso força com que as pessoas prestem atenção.

6) Caso perceba uma onda de timidez ou insegurança se aproximar, ou mesmo um grande incômodo, mantenha a calma e respire num ritmo constante que tome o seu pulmão de ar. Isso vai potencializar a sua concentração e pouco a pouco a insegurança vai se dissipando. Mantenha movimentos calmos e se expresse comedidamente, ganhando terreno aos poucos.

7) Diante de intrigas, fofocas, provocações sutis de desafetos ou sondagens suspeitas, mantenha a descrição e a firmeza.

8) Procure se ambientar com aquelas pessoas, com as quais se sente realmente bem. Evite o jogo político corporativo se aproximando de concorrentes desleais, ou aliados não confiáveis. Não busque aceitação, nem aproximações desnecessárias.

9) Caso se encontre em território hostil, por conta das disputas internas da empresa, e tenha que lidar com posturas e comportamentos sutilmente agressivos, não se intimide e nem permita que sua confiança se abale. Tenha sempre em mente o ditado de que "ninguém chuta cachorro morto". Ou seja, se você é competente, é natural que cause incômodo em colegas mais inseguros ou despreparados. Lide com isso com frieza.


Por fim, saiba que respeito e reconhecimento não são obtidos com agrados, mas se conquista com firmeza, atitude ética e personalidade.

Jamais abra mão disso.

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador e publisher da Plataforma Brasil, especializada em informações e conteúdos de inteligência empresarial.

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