Fanáticas por futebol

Fanáticas por futebol

Daniela com o técnico Kleiton na Vila Belmiro.Foto/Arquivo pessoal

Futebol deixou de ser a muito tempo reduto exclusivo masculino. Mulheres já mostram intimidade com o assunto, mais do que isso, com a bola também. Um bom exemplo é a seleção feminina de futebol que tem feito uma ótima campanha em Olimpíadas e Copas do Mundo.

Quem conhece bem o talento do time brasileiro é Daniela Gomes Lima, que junto com o maridão, o técnico Kleiton Lima - também no comando do time feminino do Santos-, faz questão de acompanhar todo trabalho. "Não existe essa coisa de ciúmes, pois virei muito amiga delas. Hoje organizo a estrutura do time santista, vou atrás de bolsas de estudos e tudo para o bem estar delas. Às vezes viro confidente e até dividi muitos problemas familiares que elas enfrentam", revela.

Apaixonada pelo time da Vila Belmiro, Daniela respira futebol. "Cuido do meu filhinho de quatro anos e quando posso estou junto com o time. Me envolvi totalmente com a causa delas. Na minha casa é canal de esportes na hora do almoço e a noite. No final do dia também conversamos sobre o assunto e quando vamos ver passamos horas falando sobre o time e os campeonatos em geral", brinca.

Desde os tempos de namoro, os dois costumavam assistir aos jogos no Pacaembu e Morumbi. O relacionamento resistiu mesmo com a ida de Kleiton aos Estados Unidos. "Na época do tetra, isso em 94, ele estava na liga americana e chegou a entrar em um amistoso contra Estados Unidos e Rússia. O time da ex-União Soviética que iria ser o próximo adversário do Brasil era super fechado, mas o Kleiton entrou lá e acabou revelando tudo para o Parreira, na época foi chamado de espião da seleção", conta. Foi nessa época que o técnico percebeu como o futebol feminino era bastante valorizado entre os americanos. Depois disso, com o retorno do maridão, os dois resolveram montar escolinhas para mulheres e formar uma Liga própria, até que mais tarde Kleiton foi convidado para comandar o time das Sereias da Vila e a seleção.

Atualmente, as atenções estão voltadas para a Copa do Mundo. Daniela já decorou a casa e comprou alguns apetrechos para o filho de 4 anos. "Eu sou uma torcedora fervorosa, gosto de discutir, dar opiniões, a torcida aqui em casa é bastante agitada", comenta.

Na casa de Simone Lopes Arrifano também não é diferente, seja em época de Copa ou durante os campeonatos brasileiros. "Eu sou 'corinthiana' roxa, o que é um problema lá em casa, pois meu marido é 'são paulino' roxão. Temos uma filha de dois anos e meio e ficamos disputando para ver para qual time ela irá torcer", brinca.

A assessora de imprensa não trabalha na área de esportes, mas é fanática por futebol. E para mostrar a paixão pelo time, ela já fez várias loucuras. "Amo futebol desde pequena. Lembro que fui ao estádio, mas não consegui comprar o ingresso para a torcida do Corinthians, então fui parar na torcida adversária, a do Palmeiras. Imagina só. Eu na arquibancada da torcida adversária, com duas amigas corinthianas. Quando o timão fez um gol começamos a gritar. Todo mundo olhou para nossa cara! Na hora. Tivemos que soltar um monte de palavrões fingindo estarmos tristes", conta. Apostas, brincadeiras e muitas discussões sobre futebol fazem parte da sua rotina, principalmente com o marido. Simone conta que uma vez, quando o Corinthians estava perdendo, ela ficou tão irritada com as piadinhas que desligou a chave geral da casa para ninguém assistir a partida.

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Para entrar em um acordo, os dois resolveram tirar todos os objetos da casa alusivos aos times. "Até escondi a roupinha da minha filhota do São Paulo. Dei um sumiço para ele nem lembrar", confessa a assessora que pretende levá-la ao estádio escondida do marido. "Ela tem quase três aninhos e já grita "Vai Brasil", claro que de um jeitinho todo peculiar".


Se em jogos nacionais, Simone chega a roer as unhas, andar pela casa e soltar vários gritos, na Copa é que ela fica ainda mais exaltada. "Só para ter uma ideia, uma vez quebrei a mesa com a minha perna que estava por baixo quando o Brasil marcou gol". Antigamente, ela costumava pintar e decorar as ruas, com direito a muita farra e gritaria, mas nessa edição estará mais envolvida com o trabalho. "Os horários são péssimos para reunir a turma, mesmo assim vou dar uma espadinha para acompanhar a seleção em campo". Não só Simone, mas a maioria que estiver no escritório.

Por Juliana Lopes

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