Excesso de informações

Excesso de informações

A rotina de Cintia Santos, 37 anos, é semelhante à de muitas mulheres. Logo cedo, ela prepara o café da manhã para as crianças e as leva à escola. Depois de permanecer casada por dez anos, a assistente administrativa preferiu cuidar dos filhos e de quebra voltar ao mercado de trabalho. Por isso, também pela manhã, ela vai para o escritório. Ao mesmo tempo atende telefonemas, faz cálculos, responde e-mails e solicitações do seu gerente. Na parte da tarde, o trabalho continua, só que a sua mente ainda está pensando no horário de buscar a criançada na escola. "Se não bastasse isso, no final do dia tenho que organizar a casa e ainda ajudar as meninas nas tarefas escolares", diz.

Além de trabalhar contra o relógio, Cintia e outras pessoas que lidam com várias tarefas ao mesmo tempo, correm o risco de não saber estabelecer as prioridades pelo excesso de informações. "Focar no que realmente importa é o desafio dos tempos de hoje. Cada um precisa parar e refletir sobre as dificuldades que tem de gravar certas informações e saber quais recursos necessita para fazer isso", diz Márcia Fagundes Chaves, coordenadora do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia.

Pesquisas indicam que o excesso de informações é responsável por minar a atenção aos assuntos que realmente são relevantes em nossas funções. Entretanto, segundo a neurologista, quando sabemos lidar com várias atividades ao mesmo tempo, a cognição é estimulada ainda mais. "O mesmo acontece com quem lida com vários tipos de tecnologia", diz. Chaves explica que quanto mais estímulos o cérebro recebe, através de novos desafios, melhor ele está preparado para decodificar informações.

Em uma analogia entre o nosso cérebro e o HD do computador, percebemos que ele também armazena as informações para que outras possam fazer parte do nosso pensamento. "O nosso espaço é limitado - não podemos ‘comprar’ mais memória e plugá-la em nosso cérebro". Por isso precisamos nos dar conta de que ela é finita, assim nossos registros não permanecem guardados para sempre e as falhas ‘lapsos’ durante o dia são bastante comuns.

Atenção!

Márcia confirma a hipótese de que cada ser humano tem um período em que o nível de concentração e atenção é maior. "Não é só pela manhã. Muitas pessoas rendem mais durante a tarde ou somente à noite. São mais criativas e permanecem mais atentas em certos momentos do dia", explica. De forma geral, cada um consegue manter a sua atenção durante 40 ou 50 minutos enquanto trabalha, estuda ou assiste a uma palestra. Segundo a neurologista, durante o dia isso acontece em vários turnos de forma cíclica, ou seja, temos picos de atenção que podem atingir o máximo de 50 minutos.

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Embora algumas pesquisas indiquem que certos alimentos ou dietas, como a do mediterrâneo por exemplo, são capazes de estimular a memória ou mesmo o nível de concentração, Chaves atesta que ainda nada foi comprovado. "Na verdade, eles ajudam a manter o bom funcionamento do organismo, incluindo o cérebro. O que pode comprometê-lo é a falta ou o excesso de glicemia no organismo", finaliza.

Por Juliana Lopes

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