Estresse de fim de ano

Estresse de fim de ano

Com o final do ano, o funil das coisas que precisam ser realizadas parece que aperta mais. São muitas atividades, sociais e profissionais, e tudo está agendado para a mesma hora. As festas de encerramento se confundem com o fechamento das metas do ano. A compra dos presentes ocupa um espaço que não existe na agenda. As crianças estão de férias, o calor agonia. E o estresse, claro, aumenta.

Uma pesquisa feita pela Isma-BR (International Stress Management Association), uma associação que estuda o estresse e suas formas de prevenção, mostrou que no mês de dezembro, os níveis de tensão são bem mais altos do que no resto do ano. Das 678 pessoas que participaram da pesquisa, 80% afirmaram que o nível de estresse é mesmo maior nas 6 últimas semanas do ano. Em média esse índice sobe 75% nesse período, se comparado com o resto do ano.

"As causas vão desde a sobrecarga de trabalho até o trânsito complicado e gastos adicionais com presentes e viagens", explica Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR e coordenadora da pesquisa. Ana diz que a rotina já acelerada das pessoas entra em velocidade máxima com as tarefas adicionais. E esses excessos, claro, se traduzem em sintomas que afetam o físico, o emocional e claro, o comportamental. "Por causa de tudo que precisa cumprir e atender, a pessoa acaba desenvolvendo um comportamento disfuncional, num círculo vicioso nada saudável".

O estresse leva então à ansiedade, irritação e até compulsão por comida. Para evitar tudo isso - e sabendo que as atividades extras não vão desaparecer - é preciso cuidado e atenção. A primeira indicação de Ana é ser realista com relação ao que se tem que fazer e ao tempo disponível para isso. Depois, é preciso fazer uma lista para prioridades e avaliar aquilo que é realmente imprescindível terminar. "Além disso, é necessário criatividade para elaborar um plano B, saber delegar funções e pedir ajuda", ensina Ana. Muitas vezes, as atividades ficam concentradas apenas numa pessoa (como na mulher que fica responsável por todas as compras de natal) e as outras nem tem oportunidade de colaborar.

Ainda com relação às compras, com a listinha pronta na mão, é preciso estar de olho aberto às chances de sanar um item facilmente. "Se você vai ao cabeleireiro ou ao banco e vê uma loja que pode ter este ou aquele presente, quem sabe elimina ali mesmo um ponto da lista". Vale ainda ir ao shopping durante a manhã, quando o movimento costuma ser menor e até tentar organizar a viagem de férias de fim de ano com antecedência.

O estilo de vida saudável colabora para que o estresse não tome conta do seu final de ano. "A tendência é comer e beber demais nessa época do ano. Uma ideia é avaliar as festas e nunca sair de casa de barriga vazia, sob risco de exagerar", sugere Ana.

A última dica de Ana para que o estresse não vire o protagonista do seu final de ano é a respiração abdominal. Ela pode mesmo ajudar a relaxar quanto o mundo todo parece correr atrás de você para resolver alguma coisa. Não dá para mudar a situação, certo? "É preciso aprender a lidar com ela para que as tarefas se tornem prazerosas e não uma obrigação desgastante".

O vilão do estresse

O conceito não é novo, mas foi apenas no início do século XX que estudiosos das ciências biológicas e sociais iniciaram a investigação de seus efeitos na saúde física e mental das pessoas. Quem primeiro o definiu sob este prisma foi o austríaco-canadense Hans Selye, conceituando-o como qualquer adaptação requerida à pessoa. Esta definição apresenta estresse como um agente neutro, capaz de tornar-se positivo ou negativo de acordo com a percepção e a interpretação de cada pessoa. Os dois tipos causam reações fisiológicas similares: as extremidades (mãos e pés) tendem a ficar suados e frios, a aceleração cardíaca e pressão arterial tendem a subir, o nível de tensão muscular tende a aumentar, etc.


No nível emocional, no entanto, as reações são bastante diferentes. Enquanto o positivo (eustresse) motiva e estimula a pessoa a lidar com a situação, o negativo (distresse) acovarda o indivíduo, fazendo com que se intimide e fuja da situação. No site da ISMA-BR é possível avaliar seu nível de estresse, com um autoteste (www.ismabrasil.com.br). Fonte: ISMA-BR

Por Sabrina Passos (MBPress)

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