Escola de espionagem para mulheres

Escola para espiãs

Foto/Reprodução stilettospyschool.com

Detetive particular é uma profissão que sempre despertou curiosidade. Esses profissionais veem, como diria Nelson Rodrigues, a vida como ela é. Mas o que é preciso para se tornar um verdadeiro espião?

Marco Aurélio de Souza, diretor do curso do Instituto Padre Reus, afirma que poucas mulheres têm interesse na profissão: "Em uma turma de 40 alunos, apenas uma média de cinco pessoas são do sexo feminino".

Mas nos Estados Unidos o interesse parece ser muito maior. Há escolas voltadas especialmente para o público feminino. A americana Alana Winters, por exemplo, sempre gostou de suspense e espionagem. Quando criança vivia assistindo às series e filmes ligados ao tema. A ideia persistiu até a sua vida adulta, quando ela decidiu que iria adquirir as qualidades necessárias para a profissão de espiã.

Alana foi além. A jovem passou dois anos selecionando professores, todos especialistas no assunto, e fundou a Stiletto Spy School. A escola é especializada em formação de profissionais do sexo feminino. As interessadas podem escolher entre as duas unidades - Las Vegas e Nova York.

O primeiro passo é escolher um nome fictício, a verdadeira identidade deve ser preservada. Entre as matérias aplicadas durante o curso da Stiletto estão leitura de linguagem corporal, carteado, esgrima, aulas de dança e até ensinamentos de como seduzir um homem. Todos os detalhes são percebidos. As moças aprendem a segurar a bolsa e usar luvas de maneira provocante e sensual.

Aqui no Brasil, Marco Aurélio afirma que o curso do Instituto Padre Reus tem duração de 16 horas. A grade de conteúdo é composta por temas como: contato e negociação com o cliente, tecnologia e investigação, a relação entre detetive e justiça, regularização da atividade perante os órgãos oficiais, elos entre ciência e detetive, a psicologia e o detetive, mensagens do corpo, entre outras. "Oferecemos aula de equipamentos, campana, acompanhamento, filmagem e até português, para ajudar o profissional a montar o contrato de serviço", explica Marco Aurélio.

Segundo o diretor, o detetive deve ser um ator. "É preciso que ele aprenda a se comportar sem chamar atenção para si. Por exemplo, se estiver em uma boate GLS é importante que ele se comporte como homossexual. Ele deve agir como se fosse da tribo", sugere Marco Aurélio.

Qualquer pessoa, desde que seja capaz e maior de idade, pode ser um detetive particular autônomo. Para poder atuar dentro da legalidade é fundamental realizar um cadastro no setor de Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) da prefeitura de sua cidade.

Os principais clientes desse profissional são cônjuges que desconfiam do parceiro e pais que querem saber o que os filhos estão fazendo fora de casa. "Há mulheres que cursam as aulas somente para aprender a investigar o próprio marido. Muitas delas não têm condições de contratar os serviços, por isso se matriculam e se tornam detetives", esclarece o diretor.

"Principalmente no período de recesso escolar, há um aumento significativo de pais querendo saber o que os filhos fazem nas férias. A maioria teme consumo de drogas", completa. Quem deseja contratar esse serviço deve ficar atento a alguns detalhes, a fim de prevenir golpes.


Se procurar em anúncios de jornal, busque saber há quanto tempo aquela oferta foi criada e se funciona sempre no mesmo endereço. Opte sempre por aqueles que disponibilizam telefones fixos e tenham escritórios. Faça uma visita ao local. É importante só antecipar parte do pagamento após ter certeza da seriedade do detetive. Desconfie dos preços baixos, pois essa é uma atividade que gera muitos custos.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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