Entrevista: Mônica Pimentel, diretora artística da Rede TV

Mônica Pimentel

Mônica Pimentel / foto Divulgação Rede TV

Ela é hoje a única mulher assumir um cargo de direção artística na televisão brasileira. E tem uma carreira invejável quando o assunto é trabalho, dedicação e sucesso. Chamada de “Boni” de saias, Mônica Pimentel até gosta da comparação mas, modesta, acha exagero da imprensa.

Na chefia da Rede TV!, ela já passou por quase todas as outras emissoras e veículos. Foi repórter da Folha de São Paulo, editora da Revista Contigo, do Caderno Show e do Suplemento de TV do Jornal da Tarde. “Passei por vários locais e casas muitos especiais onde pude aprender muito e, principalmente, entender sobre entretenimento. Em 1993, fui entrevistar Gugu Liberato para a Folha e recebi um convite do diretor para escrever para o programa”, lembra. Nessa época, começou a trabalhar no SBT, como redatora dos programas “Play Game” e “Programa de Vídeo” que, mais tarde, virou o “Domingo Legal”.

Acumulava funções de roteirista, produtora e diretora de externa quando Silvio Santos quis conhecê-la. “Conversamos alguns minutos em seu camarim e ele me convidou para trabalhar em seus programas. Trabalhei na criação e coordenação de produção do “Topa Tudo por Dinheiro”, “Hot Hot Hot” e “Tentação”.

No SBT, conheceu o diretor que a apresentaria para os donos da Rede TV!. Por meio da Ômega Produções, embrião da RedeTV!, fez assistência de direção para os programas “Domingo Milionário” e “Domingo Total”, exibidos na extinta TV Manchete e na CNT.

“Quando saiu a concessão da RedeTV!, eu tinha um projeto na manga. Era “Te Vi na TV”, que na época era meio Saturday Night Live. Tinha até uma banda comandada pelo André Abujamra, do KarnaK. Apresentei o projeto para os donos da emissora, que deram sinal verde para tocá-lo. Foi minha estréia na direção”.

Mônica só se afastou da TV quando o sonho de ser mãe falou mais alto. Mas assim que pode, já voltou à ativa, no desafio de reformular o programa “Interligado”. Na mesma época, trabalhou no desenvolvimento do “Noite Afora”, com Monique Evans. Em 2002, foi convidada para implantar e assumir a direção geral do “Late Show”, virou diretora de núcleo e, em abril de 2003, assumiu o cargo que mantém até hoje, na direção artística do canal. “Eu me dediquei e tudo ocorreu de uma maneira muito natural. Acabou acontecendo, com muita batalha e, principalmente, respeito”, analisa.

Em entrevista ao Vila Sucesso, Mônica fala mais sobre a carreira e como faz para conciliar a vida pessoal e o agito do trabalho na TV. Segundo ela, mesmo com tanta coisa pra fazer, não falta tempo para vaidade, família e filhos. Dando o melhor de si, ela chegou onde está por mérito. Muito mérito.

O que acha da comparação que diz que você é o "Boni (Globo)" de saias?

Me sinto honrada, afinal o Boni sempre será um grande ícone da TV. Mas acho que não tem nada a ver. A imprensa exagera quando intitula uma matéria minha desta forma. Acho que é mais pelo fato de eu estar no comando artístico de uma emissora, só isso. A mulher sempre tem um olhar mais sensível e, por muitas vezes, mais intuitivo do que o homem. Mas isso não é uma regra a ser seguida, cada caso é um caso.

Como é sua rotina de trabalho?

Acordo muito cedo e vou dormir muito tarde, fico atenta a tudo em relação a TV. Mas não me esqueço de ser mãe também, tomo o café da manhã quando possível com os meus filhos e meu marido. Chego muito cedo na emissora, faço reuniões todos os dias, converso com todos, apresentadores, diretores e produtores. Quero sentir a emissora de perto.

Dá para conciliar família e vida profissional?

Família é a base de toda a minha história. Não existe vida profissional harmoniosa sem o equilíbrio da vida pessoal e isso eu acredito que consigo fazer com louvor.

Como faz para manter a saúde do corpo e da mente?

Equilíbrio é a palavra chave. Às vezes não é fácil, mas também não é impossível!

E como fica a vaidade, quando se trabalha na televisão?

Eu sou mulher, então a vaidade em mim é nata, humana e mais do que natural. A mulher sempre deve ser vaidosa consigo mesma, mas a outra vaidade não faz parte da minha vida. Eu sei bem quem eu sou, sei que dou o melhor de mim e sei, principalmente, que também posso errar, mas sempre querendo acertar. Com isso aprendo muito com as minhas próprias experiências.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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