Empresas Familiares - como perpetuar o patrimônio?

Empresas familiares

No ambiente familiar eles são pais, mães, filhos e parentes. Dentro da empresa são presidentes, diretores, herdeiros e sócios. Sentam-se na mesma mesa em casa e seguem juntos para o mesmo ambiente de trabalho. É provável que essa logística não se repita de maneira literal, mas é certo que faz parte da realidade de quem trabalha em empresas familiares.

Ter uma empresa e empregar membros da família é um hábito comum no mundo corporativo, mas esse costume pode não ser a melhor forma de administrar um negócio. Muitas vezes, é necessário cortar da própria carne no intuito de salvar o nome da empresa. Além disso, existe a enorme dificuldade em delegar tarefas e atividades.

“Um dos principais problemas que costumam acontecer dentro de uma empresa familiar é a transição e a disputa de poder”, explica Domingos Ricca, consultor especializado em governança corporativa e empresa familiar.

Ele afirma que quando um fundador desenvolve uma empresa, ele tem um sonho. Mas muitas vezes, esse sonho não é o mesmo de seus filhos - e possíveis sucessores. Diante disso, fica a dúvida e o receio de que o herdeiro não saberá administrar a empresa com a mesma qualidade.

A ausência de habilidade para lidar com negócios - ou mesmo a falta de interesse - faz com que muitas empresas não consigam superar a segunda geração. Acabam sendo vendidas ou indo à falência. Em contrapartida, pode ocorrer de mais de um membro da família ter interesse em ocupar o cargo de sucessão, o que ocasiona disputa e brigas de família.

Uma das alternativas das famílias que veem seu reinado desmoronar por má administração é procurar ajuda profissional. “A consultoria tem como objetivo mediar a atuação da família de maneira que não tome decisões arriscadas e que possam ser prejudiciais ao patrimônio”, afirma Domingos, que é sócio da DS Consultoria Empresarial e Educacional, de São Paulo.

Ele explica que quando a empresa familiar recorre ao serviço da consultoria, geralmente os familiares saem do departamento operacional e vão para o conselho. Sendo assim, quem assume o departamento de operações são executivos especializados na área de atuação. Como membros do conselho, os familiares acabam tomando as decisões com o auxílio de seus consultores antes da palavra final.

Essa é uma maneira de incluir a família nos negócios, mas sem que assumam responsabilidades ou posições que não tem propriedade e conhecimento para atuar. Vale lembrar que na grande maioria das vezes a relação do executivo com a família é de extrema cumplicidade e confiança. “Muitas vezes pode acontecer do herdeiro aprender as funções necessárias de seu antecessor e conseguir assumir o posto”, explica Ricca.

Quando se tem uma empresa familiar é preciso que os membros entendam que aquele bem é patrimônio de todos e deve se perpetuar pelas gerações seguintes. Esse tipo de empresa é conhecido, principalmente, pela cultura, valor e a credibilidade que passa. Para que se tenha sucesso, é necessário ter uma boa administração que impeça o desastre do negócio e da família. Domingos, que é autor de vários livros na área de sucessão, ensina que “a profissionalização e a sucessão são os caminhos para perpetuar um negócio desse tipo”. Vale seguir a dica.

Por Cínthya Dávila (MBPress)

Comente

Assuntos relacionados: carreira trabalho empresa familiar parentes