Empreendedorismo Corporativo - um clichê que vale a pena

Há muito tempo que assisto o furioso surgimento de uma avalanche de clichês e modismos a respeito do universo corporativo. A criatividade vai longe e é fértil, sem nos permitir o tempo suficiente para a devida assimilação. E quando absorvemos o novo conceito, este em geral já se encontra ultrapassado. A sensação que fica é de que estamos sempre defasados, desatualizados. Tratamos disso aqui no Vila Mulher na matéria "Metacompetência - O que vem depois ?".

Nem sempre (e considerando honrosas exceções), mas muitas vezes trata-se de um bombardeio de "novidades" requentadas, colocadas com um ar solene de ordem do dia. Mas recentemente o nem sempre venceu, e tive acesso a algo novo, um clichê que de fato convence: O empreendedorismo corporativo.

Para ser muito sincero, já li sobre ele no passado, mas me parece que agora a coisa pegou para valer e de fato mais e mais empresas passam a se preocupar em estimular o novo comportamento. A idéia central é de que o espírito empreendedor não é privilégio apenas de empresários corajosos, ele pode muito bem estar presente no meio das baias e cubículos dos escritórios, exercido pelos diferentes níveis de gestão.

Conversando e trocando informações com gente antenada no assunto, reunimos aqui algumas características que completam o perfil das pessoas que estão incorporando a novidade no dia a dia:

Eles não esperam a empresa se manifestar

As empresas, por mais atentas que sejam em promover o estilo empreendedor nas suas fileiras, demoram a agir. Envoltas no tumulto cotidiano não conseguem dar o foco necessário. Esses profissionais não esperam por ela e adotam a iniciativa como uma atitude constante.

Fogem do blá, blá, blá corporativo e das fofocas de corredor

Não perdem o precioso tempo com frivolidades e focam na realização, na concretização. Detestam voltar para casa com a sensação de vida desperdiçada.

São autoconfiantes

Atuam sem se importar muito com a aprovação alheia. Acreditam no que estão fazendo e pronto. Não se trata de inflexibilidade, mas quando confrontados com opiniões adversas e contra-ordens de seus superiores, argumentam com segurança e uma vez convencidos se ajustam normalmente. Em resumo, não se abalam com críticas e nem querem se apropriar da verdade ou vencer todos os embates, mas não abrem mão defender as suas crenças.

Singulares mas coletivamente

Apreciam e cultuam a própria personalidade, mas sabem conviver com aquilo que é diverso, com diferentes perfis e culturas. Sabem que fazer parte de uma equipe é diferente de pertencer a um rebanho.

Auto-motivados

Conscientes de que a motivação deve nascer dentro de cada indivíduo, alimentam um certo desdém pelos programas motivacionais.

Planejamento e organização

Sabem que sem esse binômio, nenhum projeto ou iniciativa vai adiante. Muito natural para quem detesta simplesmente performar (ou seja, aparentar realização), mas de fato busca a concretização de suas idéias.


Seus chefes são pessoas seguras (A mais importante de todas)

Chefes inseguros se apavoram com possibilidade da perda de poder e controle. Na vã tentativa de manter isso a todo custo, criam um ambiente repressor de fiscalização que acaba por inibir as iniciativas e infantilizam as equipes. Como resultado, observa-se a saudável atitude empreendedora, cedendo espaço para o salve-se quem puder diante da fúria infantil dos superiores.

Sem dúvida alguma é preciso fazer justiça. Não estamos diante de mais um clichê. Trata-se de um estilo de vida.

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador e publisher da Plataforma Brasil, especializada em informações e conteúdos de inteligência empresarial. www.pbrasilnet.com.br

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