Empreendedoras de primeira viagem

Empreendedoras de primeira viagem

Foto/Arquivo Pessoal

Candidatos a empresário, o Brasil está cheio deles. O sonho de abrir o próprio negócio passa pela cabeça de muita gente, em várias situações: desemprego, vontade de ser dono do próprio nariz ou simplesmente porque a sua vida pessoal leva você a buscar novos rumos.

Foi o que aconteceu com a relações públicas Vanessa Imparato, 34 anos. Depois de ter o primeiro filho, ela saiu de São Paulo e passou a morar no litoral, na Baixada Santista. Trabalhou junto com o seu marido, proprietário de um posto de gasolina. Mas depois de três anos no negócio, ela achou melhor sair por motivos de segurança. "Então comecei a pensar o que poderia fazer da minha vida, só sabia que queria montar a minha empresa. Procurei várias franquias de diversos segmentos. Havia pensado em alimentação, mas ainda não era o que eu esperava, até que, ao pesquisar na internet, veio o nome ‘Arquivar’ (franquia de administração de documentos com sede em Belo Horizonte) que me chamou atenção", conta.

Como ela já tinha noções de administração e contabilidade, Vanessa buscou na franquia o treinamento específico para trabalhar com uma metodologia que envolve a administração de arquivos - trabalho que muita gente não conhece, mas de extrema importância para grandes empresas, portanto, um nicho de mercado a ser explorado. "Tenho como cliente hospitais, universidades e indústrias. Em muitas delas a necessidade é a mesma, buscar um espaço seguro e de fácil visualização para os seus documentos". Dessa forma, a franquia de Vanessa tem a função de preservar os documentos das empresas e mantê-los em um sistema inteligente de armazenamento, esse já indica quais deles devem estar em um dossiê de cada colaborador, por exemplo.

Antes de apostar na empresa, ela fez o que é chamado de "Plano de Negócios", em que consta tudo a ser feito para que a ideia seja viável. O plano deve ter basicamente as seguintes informações: ramo, produtos e serviços, clientes, concorrentes, fornecedores e acima de tudo pontos fortes e fracos do seu negócio.

"O Plano de Negócios é um documento que pode ser considerado um plano de voo do empreendedor, no qual ele relaciona todas as informações referentes ao novo negócio, tal qual o mapeamento da concorrência, o tamanho do potencial público-alvo, bem como simulações dos cenários nos quais vai atuar", acrescenta Ari Antonio Rosolem, consultor administrativo-financeiro do Sebrae-SP

Durante a análise de mercado, a empresária também observou que a renda per capita por habitante e acima de tudo a localização. "Estou no meio da Baixada Santista, o que facilita muito o transporte entre as cidades". Para receber os treinamentos constantes e levar o nome da marca Arquivar ela desembolsou 100 mil reais, dinheiro que já recuperou. O investimento total será daqui a seis meses.

A empresa fica em um galpão protegido por equipamentos de segurança e ainda conta com máquinas para digitalização de arquivos, os dois representam a maior parte dos custos com o negócio.

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No início, ela teve que garimpar alguns clientes na região. Com os seus conhecimentos de relações públicas conseguiu atingir o seu público-alvo, no caso as grandes empresas, mais do que isso, mostrar a necessidade do seu serviço.

Depois de quase um ano de empresa, Vanessa diz que conseguiu alcançar os seus objetivos. "Em 2009, nós conquistamos um bom número de clientes, que estão satisfeitos com o trabalho. Agora, em 2010, vamos ser mais agressivos e buscar mais mercado". Ciente do potencial da região, a empresária até chegou a passar um feedback à sede da franquia. "Essa troca é importante para eles terem novas ideias para o negócio, assim todo mundo ganha", conta.

A empresária Luciana Bechara está a mais tempo no mercado, mas, assim como Vanessa, também soube se preparar para lançar o seu negócio, isso em meados de 2001. Durante três meses, a proprietária da Be Little, com sede em Curitiba e cerca de 80 pontos-de-venda no Estado de São Paulo, levantou informações para lançar sua confecção no mercado. "Identifiquei uma oportunidade de fazer roupinhas para bebês prematuros", lembra Bechara.

Ela lançou seu empreendimento em meados de 2001 e atualmente distribui as roupinhas em pontos-de-venda do Brasil todo. "Até hoje, faço cursos de atualização específicos na minha área", comenta. "Tenho certeza de que a preparação anterior ao negócio foi essencial para a sobrevivência nos primeiros anos. Confecção é um segmento muito concorrido", comenta.

Para quem quer se aventurar em montar uma empresa, o consultor aponta três características essenciais aos novos empreendedores:

- Conhecimento: prefira lançar sua empresa numa área na qual já tenha conhecimento. "Não quer dizer que abrir uma empresa em um segmento o qual não se conheça, signifique que a empresa vai quebrar, mas levantar todos os dados sobre determinada área vai exigir muito mais energia do empreendedor, e mais capital também", diz o consultor.

- Invista capital próprio: não existe começar uma empresa do zero, sem dinheiro algum. "Recorrer aos bancos é praticamente impossível para o jovem empresário, pois ele não tem garantias para trocar pelo dinheiro", aponta Rosolem. O conselho é usar capital próprio. "Se tomar dinheiro emprestado da família, combine para começar a pagar só após 12 meses. A essa altura, a empresa já tem mais chances de ser lucrativa", aconselha.


No próprio site do Sebrae, você encontra uma extensa programação de cursos, inclusive muitos deles pela internet, um deles é o "Aprender e Empreender", que dá noções de Empreendedorismo, Mercado e Finanças. Durante um mês, você também aprende a montar um Plano de Negócios através da rede. As inscrições são feitas pelo site http://www.ead.sebrae.com.br/hotsite/. Além disso, você também encontra toda as informações para registrar a sua futura empresa: http://www.sebrae.com.br/momento/quero-abrir-um-negocio/integra_bia?ident_unico=336.

Por Juliana Lopes

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