De vendedora a figurinista do presidente

De vendedora a figurinista do presidente

Coragem de arriscar. Muitos profissionais ainda têm uma certa resistência às mudanças. Preferem estar na “zona de conforto” e permanecem anos em algo que não gostam tanto assim. Falta enxergar além e ver as oportunidades que aparecem muitas vezes por acaso, sem ao menos perceber.

Mas não foi o que aconteceu com Nazareth Amaral, 47 anos, hoje personal stylist e figurinista. Antes, ela era vendedora de títulos de um clube na capital e litoral paulista. Durante essa fase conheceu a apresentadora de TV Cinira Arruda, fada madrinha que reconheceu o seu potencial e a convidou para fazer produção de comerciais.

“A minha família sempre comentava que eu era ótima para escolher roupas e associar os figurinos com épocas. Acabei fazendo parte do casting da Globotec e cheguei a trabalhar no filme 'Festa', de Hugo Georgette, que tinha no elenco Antônio Abujamra, Iara Jamra, Ary França e outros, isso em 1987, quando nem se falava direito em faculdade de moda”, conta.

O empenho foi tanto que ela chegou a ganhar o Kikito (Oscar brasileiro) de melhor figurino de um longa-metragem no festival de Gramado. Autodidata, Nazareth buscava se inspirar em filmes americanos, seriados e revistas internacionais. Em alguns momentos chegou até a procurar o crítico de cinema Rubens Ewald Filho para saber os detalhes da roupa da cena de um filme. “Ele tinha tudo na cabeça e me passou rapidamente pelo telefone”.

Tempos depois, quando a figurinista tinha conquistado uma boa posição na carreira estavam em seus planos a ideia de descansar um pouco. “A rotina estava muito puxada”, comenta. Entretanto, outra surpresa veio em sua vida, a oportunidade em trabalhar na campanha do presidente Lula, em 2002.

O convite veio por intermédio de um amigo que trabalhava com Duda Mendonça. “Eu não acreditava que iria vestir um candidato, ainda mais em um momento tão importante. Foi uma boa mudança na aparência dele, muito importante para a campanha, sem dúvida. Ele era detalhista e gostava de se vestir bem, e gostava de ouvir as minhas ideias", comenta.

O documentário "Entreatos" (2004), dirigido pelo cineasta brasileiro João Moreira Salles, mostra um pouco das conversas entre Lula e Nazareth. Nos bastidores, detalhes sobre os nós das gravatas e como o então candidato na época estava se acostumando com o novo figurino.


Campanha bem sucedida, Nazareth resolveu abrir a própria empresa, isso há cinco anos. Envolvida com vários projetos de moda, ela não tem formação acadêmica atribui o seu talento a sua capacidade de buscar oportunidades. Também atua como figurinista e mantém poucos clientes para se dedicar totalmente a cada trabalho. “Aprendi a lidar com as mudanças e agarrar sempre boas oportunidades, com todo o meu empenho", finaliza.

Por Juliana Lopes

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