De colaborador para dono do próprio negócio

De colaborador para dono do próprio negócio

Recentemente, escutei o relato de uma amiga que havia decidido definitivamente largar o emprego e se tornar empreendedora. Isso não é historinha, porém a mais pura realidade. Ou seja, esse texto é baseado em fatos verídicos.

A história é antiga. Há tempos vinha se irritando com o inesgotável "blá blá blá" corporativo, com os joguinhos políticos de corredor, com a retórica motivacional sem fim, e também sem nenhum fundamento. Segundo ela, a empresa não conseguia atravessar meio ano fiscal sem lançar uma leva de novas modinhas de gestão, e isso a deixava esgotada. No ano passado, depois de concluir que "aquela vida" não funcionava para ela, montou um pequeno negócio com um sócio, e desde então, vem levando uma vida dupla.

Durante o dia ela enfrentava a selva corporativa; mas a noite, e nas horas vagas ou em qualquer intervalo, se transformava na empreendedora. Pensava em manter isso por um bom tempo, até que o negócio estivesse maduro e com bons frutos. Mas o jogo duplo foi cansando, e a vida no emprego cada vez mais sem sentido. E foi assim que tomou a sua decisão.

Pensando nessa história verídica, decidi colocar aqui aquilo que tentei transmitir à minha amiga, e que adoraria que alguém tivesse me dito nos meus primeiros momentos como empresário.

1) Você pode ter uma visão de futuro, e ser agressiva na condução do negócio, mas seja conservadora quando for tratar dos custos de manutenção.

2) Faça um planejamento detalhado, mas que seja realista na execução e conservador na projeção de resultados.

3) Esteja preparada para as turbulências e não se iluda achando que elas virão apenas no primeiro ano.

4) Cuide da parte fiscal e jurídica do negócio com o mesmo carinho que dedica ao desenvolvimento do serviço, ou do atendimento ao cliente.

5) Seja organizada, sempre. Rigorosamente organizada.

6) Estabeleça uma relação bem estruturada com seu sócio, estabelecendo a missão e a responsabilidade de cada um.

7) Fuja das dívidas o máximo que puder, tentando gerar capital próprio em um crescimento orgânico do negócio.

8) Caso decida procurar um investidor, tente antes consolidar a operação, preparando-se para intensas negociações, e também para perder parte considerável da sua autonomia.

9) Contrate e trabalhe com gente competente e realizadora, fugindo dos excessivamente vaidosos ou "aeronautas".

10) Tenha um bom contador, e mantenha o cartão de um ótimo advogado na carteira.

11) Aprenda a se disciplinar. A partir de agora, você é a dona do processo e ninguém vai dizer a você o que tem que ser feito. Isso é ótimo, mas pode também se transformar num desastre, caso não tome alguns cuidados.

12) Tenha objetivos de faturamento de curtíssimo, curto, médio e longo prazo.

13) Trabalhe durante o dia como se o mundo fosse acabar amanhã, mas depois, na hora de relaxar e pensar na vida e nas dificuldades que está vivendo, não se esqueça de que se enfiou num projeto de longo prazo. Isso ajuda a combater a ansiedade.


14) Pratique esportes regularmente, e cuide da saúde com boa alimentação e exames de rotina. Parece conselho de pai, eu sei, mas a carga de trabalho vai aumentar e o seu corpo vai precisar. Combata a ansiedade, faça esportes, e não se esqueça da diversão. Sem isso, essa luta toda fica sem graça.

Por fim, recomendo que comemore cada vitória ou conquista, por menor que seja.

Boa sorte.

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador e publisher da Plataforma Brasil, especializada em informações e conteúdos de inteligência empresarial. www.pbrasilnet.com.br

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