Daniela Biancardi - a atriz que levou alegria às crianças africanas

Daniela Biancardi  a atriz que levou alegria às cr

Palhaços sem Fronteiras em Bushfire, Suazilândia. Foto Reprodução Flickr Amanda Rossi

Há pessoas que nasceram para fazer a diferença. Usam os seus talentos para levar alegria e conforto às pessoas que necessitam. Não enxergam fronteiras e cruzam oceanos para irem ao encontro de quem se sente carente de um sorriso.

Daniela Biancardi nasceu na região metropolitana de São Paulo, na cidade de Jundiaí. Formou-se no Teatro -Escola Célia Helena, cursou École Internacionale duThéâtre Jacques Lecoq-França e Kiklos Scuola - Itália e pesquisa teatro cômico e gestual há uma década e meia. Dani está envolvida com o teatro desde os 14 anos e hoje, aos 36, atua como atriz, orientadora de teatro e coordenadora de projetos culturais e artísticos.

A atriz foi convidada para integrar o grupo da ONG internacional "Palhaços sem Fronteiras". Dani foi a única mulher na equipe, composta por três irlandeses, um australiano e um sul-africano. "Eles necessitavam ter uma representante do sexo feminino por conta dos assuntos que trataríamos e do que gostaríamos de refletir. Era uma abordagem cênica por meio do riso e do humor, mas ter o cuidado de lidar com este trabalho com ética e estética era essencial", afirma Daniela Biancardi.

A atriz seguiu com o grupo para a África do Sul e Lesoto, um país próximo ao primeiro. A missão do "Palhaços sem Fronteiras" envolvia trabalho com crianças portadoras do vírus HIV. Dani conta que o palhaço poderia, em situações como essa, subverter este quadro. Gerar reflexão, sem a finalidade de um riso banal, mas sim, provocador. "Sou uma pessoa inquieta e que somente envereda-se para o caminho do espetáculo, e o processo artístico e também pedagógico de criação no teatro me interessa muito", revela Biancardi.

A expedição ocorreu em 2007, e teve duração de dois meses. Antes de partir para o continente africano, durante dez dias o grupo se concentrou para ensaios e treinamentos em Galway, na Irlanda. "A grande quantidade de crianças infectadas e também órfãs foi algo que me tocou. Uma sensação de não-lugar, de não-pertencimento, como se não tivéssemos base para seguir, mas eles nos ensinavam, eles avançam e seguem", desabafa a atriz.

Segundo a paulista, este trabalho lhe trouxe a consciência de que o palhaço não é capaz de salvar vidas, mas sim, provocar o mundo pelo riso. "Não fui para gerar respostas, mas sim questões e continuar seguindo com elas por mais e mais lugares que passar", revela Dani Biancardi. "Saber como esta epidemia assola estes lugares, por vezes, nos faz perder o riso", completa.


A atriz lista o que a motiva na profissão. "Eu aprendo com ela. Ser artista é compartilhar o saber e, sobretudo, poder lidar com as convenções que nos massacram". E finaliza: "O que me motiva ainda é poder me ver como um corpo criativo, liberto, poético. Ser atriz me instiga, me nutre, me alimenta poeticamente", completa.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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