Cursos livres: modismo, tendência ou luxo?

Cursos livres modismo tendência ou luxo

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Analisando as últimas duas décadas, é notório o crescimento pela demanda de cursos livres sobre assuntos diversos, atendendo aos desejos de pessoas de diferentes classes e perfis. Conhecer mais sobre assuntos que não foram alvo de estudo nas universidades fizeram surgir grupos de professores, pesquisadores, ou experts que ministram palestras ou workshops. É o aprender por satisfação, uma espécie de consumo do saber que vem inclusive alimentando as próprias universidades com cursos cada vez mais específicos e afastados das carreiras tradicionais.

Agora fica a dúvida: curso livre é modismo, tendência ou luxo? Seja qual for a resposta, o que se nota é que a informação e o saber estão transpondo os limites das escolas e faculdades e tomando lugar no varejo.

Segundo o professor da Escola Ponto Cursos e Concursos, Manolo Perez, o homem realmente é um eterno aprendiz e dificilmente se contenta com pouco ou com uma situação não desafiadora à suas ações. No passado, embora o estudo regular fosse obrigatório, as formações profissionais seguiam mais a tendência das vocações e do determinismo familiar.

Com o passar do tempo, a formação cultural e a formação acadêmica passaram a seguir índices ou modas de comportamento. Muitos se dedicaram a carreiras específicas por propaganda promissora de futuro garantido. O status e a remuneração impostos pelo capitalismo retiraram das profissões a vocação, colocando em seu lugar o instinto de sobrevivência.

Mas, um fenômeno chama a atenção depois que os homens atingem seus ideais, eles voltam a indagar sobre aquilo que sempre quiseram saber e não gostam que outros percebam suas limitações. Nessa nova dimensão é que o conhecimento e as informações passam a ter valor de troca. Muito se fala da diferença entre conhecer, aprender, saber e informar-se, porém, a vontade permeia todas estas situações.

Fique por dentro do assunto

Existem grupos de estudos com perfis diferentes entre as pessoas envolvidas: os que aprendem por vontade de conhecer mais ou renovar seus conhecimentos, os que aprendem por obrigação ou por manutenção de carreira, os que ensinam por paixão e vocação e os que ensinam por necessidade empregatícia.

Fala-se em saber de luxo quando tratamos de conhecimento para poucos, como nos casos onde há elevado valor monetário agregado. Esse aprendizado elitizado e oneroso é o contraponto do ensino público em nosso país. Poucos alunos pagando muito por algo muito específico e particular, mas cujo efeito vai da realização de um sonho de conhecimento à pura vaidade de ostentar conhecimento.


Por Livany Salles

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