Cuidado com o que você diz no trabalho!

Cuidado com o que você diz no trabalho

Foto: RG Images/Stock4B/Corbis

Você já deve ter ouvido o ditado "o peixe morre pela boca", certo? Pois é, muito do que falamos pode contar pontos a favor ou contra nós mesmos no ambiente profissional. E como muitas vezes a primeira impressão é a que fica, você deve imaginar como é difícil reverter um mal entendido, não é?

Às vezes não são nem as frases como um todo, mas algumas palavrinhas ou expressões podem comprometer o que você realmente gostaria de dizer inicialmente. Quem levanta essa tese é Karen Friedman, autora do livro "Shut Up and Say Something: Business Communication Strategies to Overcome Challenger and Influence Listeners" ("Cale a Boca e Diga Algo: Estratégias de Comunicação Empresarial para Superar Desafios e Influenciar os Ouvintes", em tradução livre).

A coach reúne na obra alguns exemplos de expressões e explica porque elas podem ser tão maléficas. Seguem alguns exemplos:

"Não é o meu trabalho": deixa claro o que você não quer fazer a tarefa e demonstra falta de flexibilidade.

"Eu acho...": conhecida por alguns especialistas como frase de desconto (assim como "Eu imagino..." e "Eu acredito..."), ela reduz o poder da mensagem e torna o emissor menos competente do que é.

"Eu não sei": a frase pode expressar falta de iniciativa para dar o próximo passo

"Isso é impossível": essa frase é negativa e dá entender que você não está disposto nem mesmo a tentar.

Já na opinião de Villela da Matta, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Coaching, listar as frases que devem ser evitadas não é um modo produtivo de lidar com questões como comunicação, motivação e postura empresarial. Isso porque o significado depende do contexto, do momento e da interpretação de quem ouve.

E dá um exemplo: "Você pode dizer para o seu gerente: ‘Não vejo a hora de tirar férias’, e ouvir a seguinte resposta: ‘Você realmente tem se esforçado, se há alguém que merece férias é você’. Ou pode ouvir esta outra resposta: ‘Isso é hora de pensar em férias? O departamento está se matando para cumprir as metas e você não está nem aí?’"

Villela também defende que, quando falamos algo inadequado não podemos achar que a frase escapou por inocência. Isso foi um ato falho, um conteúdo que já povoava nosso inconsciente. "A melhor forma de evitar dizer o que não deve é colocar em prática o policiamento obsessivo", pensa. "E mesmo assim você ainda corre o risco de reprimir coisas que podem vir à tona no momento mais inadequado possível", completa.

A solução para esse problema está em potencializar nosso poder de concentração. O presidente da Sociedade Brasileira de Coaching sugere que nos questionemos. Quais são os meus valores? De que modo eles se manifestam na minha comunicação no trabalho? Estou buscando ativamente a minha satisfação profissional ou espero que a empresa faça isso por mim? De que maneira isso que eu estou pensando ou dizendo agora contribui para as melhorias que eu quero ver acontecer em minha vida e em minha carreira?

O especialista ressaltando que teremos foco, objetivos e propósitos realmente relevantes para nós quando conhecermos nossos próprios valores. Dessa forma, conseguiremos alinhar pensamentos, palavras e ações de modo coerente e positivamente direcionado. "Responsabilize-se por gerar sua própria motivação, e você não terá que se preocupar com frases que possam dar aos outros a impressão de que está desmotivado", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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