Cotas para mulheres em empresas, você concorda?

Cotas para mulheres em empresas

A presença feminina dentro do mercado de trabalho ainda sofre algumas restrições. De acordo com dados divulgados pela Mercer (consultora internacional de gestão, outsourcing e investimentos) os homens continuam a ter a maior percentagem de ocupação de altos cargos dentro das empresas (71%). E as mulheres ocupam apenas 29% dos cargos executivos.

Outra pesquisa realizada pela Hays Executive (especialista em recrutamento para cargos de alta gestão) questionou executivos brasileiros e europeus sobre a introdução de um sistema de cotas para mulheres nos conselhos administrativos de empresas. Porém, a maioria deles discordou da proposta. E você, concorda?

A cota obriga as empresas a terem pelo menos uma mulher no conselho administrativo. "Seria para promover a equidade entre gêneros nestes departamentos. Mas é preciso que mais mulheres cheguem a posições de lideranças para que essa política seja viável", explica Cynthia Rejowski, porta-voz e líder da Hays Executive no Brasil.

Para as empresas que aderem, há uma liderança mais estratégica, com a visão de profissionais com perfis diferentes. "De modo geral, a mulher é mais detalhista e o homem mais objetivo. A composição de um conselho mais misto pode garantir resultados fantásticos", garante Cynthia.

No entanto, o fato de ser promovido por cotas pode criar um questionamento com relação à capacidade do profissional, como afirma a líder da Hays: "A obrigatoriedade em ter uma mulher ocupando uma cadeira no conselho administrativo não é uma solução considerada adequada também pelas executivas. Elas querem a posição por merecimento".

E acrescenta dizendo que as mulheres estão cada vez mais unidas para debater temas como este. "Em alguns setores elas possuem um grupo para se fortalecerem e unificar o posicionamento, como o Jurídico de Saias (um grupo formado por mulheres em cargos de liderança na área jurídica de grandes empresas para trocarem experiências)", garante.

Segundo a pesquisa, 75,4% dos brasileiros entrevistados afirmam que as empresas em que trabalham são contra introdução de cotas. Na Europa, 59% disseram que são contra a obrigatoriedade da presença de pelo menos uma mulher no conselho administrativo.


"Os dados mostram que ainda há resistência para aceitar esse tipo de política compulsória, porque os profissionais preferem a meritocracia. As pessoas não querem ter uma cadeira no conselho por obrigação, mas porque têm conhecimento e experiência para ocupá-la", descreve Cynthia.

Os países mais favoráveis à introdução de cotas são Polônia e Suécia, com mais de 60% de apoio. "Hoje o número de mulheres no alto nível gerencial ainda é pequeno. Mas, sem dúvida, elas terão uma participação representativa em conselhos daqui a 10 anos", finaliza Cynthia Rejowski .

Por Stefane Braga (MBPress)

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