Conheça as formas de publicar o próprio livro

Conheça as formas de publicar o próprio livro

Escrever um livro não é uma tarefa fácil. É preciso pensar num tema, numa história interessante, levantar dados e, por vezes, realizar pesquisas. Mas, num país rico em diversidade e inspiração como o Brasil, essa etapa não parece ser a parte mais complexa. Afinal, autores por aqui não faltam. Difícil mesmo é encontrar patrocínio, recursos ou uma editora que se interesse e queira bancar a obra.

Por isso, é cada vez mais importante que os escritores de plantão se informem sobre as maneiras para divulgar seus textos. Raquel Koury, que acaba de lançar o livro "Sensitivos" (Pensamento-Cultrix, 2010), afirma que o primeiro passo para a publicação de uma obra é uma revisão feita pelo próprio autor. Tal ação evita que o escrito fique com erros decorrentes da digitação, de ortografia ou gramática.

Caso a intenção do autor seja publicar o livro por meio de uma editora, tais deslizes podem pôr tudo por água abaixo. "Se um editor, ao ler a primeira página, notar erros ortográficos, de concordância ou incongruência, o resto do texto pode até ser bom, mas não será lido", disse Raquel. Ela conta que enviou sua obra a várias editoras. Ao mesmo tempo, telefonou para alguns profissionais da área, contou sua história e pediu que a olhassem com carinho. Depois, recebeu resposta de uma das empresas, que acabou publicando "Sensitivos".

A vantagem desse tipo de publicação é que o autor não precisa se preocupar com revisões finais, capa, divulgação, distribuição e vendas, pois a editora fica responsável por essas etapas. A tarefa dele será apenas escrever. Só que, em geral, é preciso ser conhecido para que uma dessas empresas se interesse por seu trabalho. Ou então, insistir bastante.

Além disso, não é bom simplesmente mandar o texto para qualquer editora. Cada uma trabalha com uma seleção de temas, por isso o ideal é fazer uma pesquisa e descobrir quais delas publicariam uma história como a sua. E cuidado na hora de oferecer seu livro. "Cada editora atende de uma forma. Sabemos que a maioria solicita uma versão do livro por e-mail, simples, em documento de texto mesmo. Vale ressaltar que é importante enviar o seu ‘original’ para uma editora idônea", falou Gregory Pek, editor da Garimpo Editorial, de São Paulo.

Essa editora desenvolve um programa que dá suporte editorial para o desenvolvimento de projetos de novos autores. "Com o ‘know-how’ da nossa equipe de editores elaboramos junto com o autor uma proposta para transformar o livro numa obra interessante para os leitores. E é em cima do conteúdo proposto pelo autor que verificamos se há potencial ou não no projeto editorial dele", contou Gregory.

Raquel também chegou a publicar um livro de outra forma: por meio de uma editora não comercial. A vantagem disso é que o lucro pode ser bem maior que se a obra estivesse sob a responsabilidade de uma editora. Porém, é o autor quem banca desde a revisão até as vendas.

De acordo com a autora, o custo desta publicação varia muito, mas, para se ter uma ideia, um livro de cerca de 100 páginas, formato padrão e capa simples custará em torno de R$6 por unidade. Para fazer 1 mil livros, este preço diminui ou aumenta em relação à qualidade e quantidade comprada. Um livro deste tamanho poderia ser vendido em torno de R$12. Embora isso pareça um bom negócio, é preciso pesar todos os gastos. Afinal, o próprio autor teria que pensar na distribuição e venda do seu livro. "E a abrangência disso: uma ou duas cidades? E os gastos com divulgação, acesso às livrarias, etc? Bem, isso exige um bom plano de ação", disse Raquel.

Pensando nas dificuldades que se tem na hora de publicar uma obra, foi criado o site "Clube de Autores" (www.clubedeautores.com.br), por meio de uma parceria entre o I-Group e a A2C. O "Clube de Autores" está no ar desde 2009 e já tem mais de 2 mil livros publicados. Isso se deve ao diferencial da publicação: a venda é feita pela rede e sob demanda, ou seja, um livro só é impresso quando alguém já o encomendou - e pagou por ele. Assim, o autor não tem custo algum, e recebe o valor referente aos direitos autorais assim que acumula um montante de R$ 100 em vendas.

"Todo mundo tem conteúdo ou uma história para dividir. Por isso, não há sentido em exigir que o autor banque sua tiragem, por exemplo, quando a internet possibilita que todo o trabalho de configuração, divulgação e venda seja realizada sem custo nenhum", afirmou Indio Brasileiro Guerra Neto, sócio-diretor do site.

O autor tem a possibilidade de revisar a obra a qualquer momento, pelo computador. No entanto, serviços de revisão não estão disponíveis. O escritor é responsável pela capa, diagramação e valor atribuído aos direitos autorais. Ricardo Almeida, diretor geral do site, garante que "nesse processo, a parte mais difícil é escrever".


Agora, você que tem alguma obra escondida na gaveta já pode pensar em publicar suas idéias, não é mesmo? Escolha a melhor maneira para você e compartilhe a sua história! Quem sabe ela não se torna um best seller?

Por Priscilla Nery (MBPress)

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