Como ser persuasivo?

Como ser persuasivo

Um profissional esperto sabe mostrar o que tem de melhor e "vender o próprio peixe". E quantas situações não nos vemos tendo que persuadir alguém sobre algo? Sim, persuadir, não convencer. Qual a diferença?

Laila Vanetti, especialista em Retórica, Argumentação, Linguística Textual e Análise do Discurso, explica que há uma sutil diferença entre as duas estratégias. "Convencer se baseia na razão, na lógica, e constroi a argumentação com números e fatos. Já persuadir é multi, é pluri, é versátil. E é nessa pluralidade que está o seu poder. A persuasão também tem uma base lógica, mas eu ousaria dizer que essa base não é o todo. Outros elementos também fazem diferença, como uso da emoção, da manipulação, do encantamento, da atração e até mesmo de uma dose de medo", diz.

Em um ambiente corporativo há mesmo muita competição e os funcionários precisam vender suas boas ideias, apresentando-as de maneira carismática e convincente para que todos os níveis hierárquicos estejam ao seu lado, apoiando cada projeto. "E, para isso, só sendo persuasivo", afirma Laila.

O intuito de persuadir uma pessoa é exatamente levá-la a fazer aquilo que você quer que ela faça. "Botar a mão na massa", quando aderir a sua ideia e não apenas concordar com os argumentos propostos - como acontece quando uma pessoa é convencida de algo. Laila, também diretora da Scritta Cursos em Linguagem, explica que essa técnica é aprendida naturalmente, como quando somos crianças e convencemos a qualquer custo nossos pais de que queremos aquele brinquedo por tal motivo. "As crianças usam, sem saber, não somente argumentos lógicos, mas principalmente técnicas persuasivas, apelando para a emoção, por exemplo. E isso se segue dessa primeira para todas as relações sociais do ser humano. A todo momento precisamos fazer com que as pessoas comprem nossas ideias".

Apesar de serem muitas, as técnicas de persuasão podem ser aprendidas por qualquer adulto, pois são quase que intuitivas, facilitando sua absorção. Como explica Laila, a primeira dica é observar e investigar os padrões que regem o comportamento humano, conhecendo e reconhecendo o poder que os estereótipos, a cortesia e a sutil manipulação podem exercer. "Demonstrar interesse legítimo e ouvir é muito importante. Ouvindo o interlocutor você saberá oferecer as respostas que ele procura".


Para isso, a preparação é o primeiro e o mais importante ponto a ser considerado. "Todo caminho de uma boa argumentação em uma discussão ou em uma negociação começa com a preparação. Adequar sua linguagem ao seu interlocutor é, antes de tudo, antecipar-se a ele", diz. "Além de estruturar logicamente o seu discurso, é a preparação que agrega fatores persuasivos importantes, como uma postura segura e confiante".

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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