Como se tornar uma comissária de voo

Como se tornar uma comissária de voo

Tripulantes na frente da aeronave que transportou a Seleção Brasileira para a África.

Com a chegada de novas companhias aéreas e inclusão de mais voos, incluindo os internacionais, isso sem contar a expectativa para as Olimpíadas e Copa do Mundo no Brasil, as escolas de aviação tem registrado uma grande procura pelos cursos de comissário de vôo - homens e mulheres interessados em ter um lugarzinho neste mercado que cresce em torno de 4% e 5% ao ano.

Bons salários, em torno de quatro mil reais no início da carreira - nesse valor está incluído o acréscimo da insalubridade, e a facilidade de conhecer vários lugares são os grandes atrativos dessa profissão. Entretanto, muita gente nem imagina os entraves e dificuldades para se atingir o posto de aeromoça. A trajetória começa logo no curso de formação feito em escolas especializadas. De acordo com a Anac existem mais de 260 unidades no Brasil que habilitam pilotos e comissários.

O investimento é um pouco pesado, mais de dois mil reais, para assistir às aulas práticas e teóricas. "Você tem a opção de fazer em três ou seis meses, conforme a carga horária. A questão é que em tão pouco tempo você é bombardeado com uma enxurrada de informações", diz a comissária Mariane Ribeiro Dombrova. Com 37 anos, ela ultrapassou as barreiras do preconceito, afinal nas escolas a preferência é pela idade média de 25, e foi em busca do curso de formação. Depois de trabalhar na área de publicidade e eventos, principalmente com o freelance, ela procurava estabilidade, por isso resolveu investir em outra formação com o incentivo da sua cunhada que já trabalha neste mercado.

"Durante o curso, a gente passa por 16 disciplinas, entre elas, aulas de etiqueta, conhecimentos gerais de aeronaves, segurança de voo, leis trabalhistas, meteorologia, código brasileiro da aeronáutica, psicologia, e claro, aprendemos noções de primeiros socorros, além das aulas de emergência e sobrevivência na selva". Na opinião dela e da maioria dos candidatos sem dúvida a prova de fogo, literalmente, é durante o treinamento baseado em simulados militares.

Conforme explica Mariane, o teste na selva é feito entre às 4:30 da manhã dos sábados até às 20 horas do dia seguinte. No meio do caminho há muito frio, chuva, lama, fome e apenas alguns litros de água no bolso- os alimentos são aproveitados da própria natureza. "São dois dias de mata fechada, onde aprendemos como gerenciar momentos de crise e pânico em situações de emergência". Na prática, eles aprendem como sobreviver em meio à natureza em caso de queda, acidentes ou pousos forçados.

"O treinamento envolve aulas práticas da marinha, combate ao fogo, produção de iscas para fogo e de primeiros-socorros. É lá também que aprendemos a ter humildade e respeito, por sinal, pré-requisitos importantes no dia-a-dia dos comissários", conta.

Passada essa etapa são realizados testes teóricos na própria escola como uma forma de preparação para o exame da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Roberta Santos, que já fez a prova há dois anos, diz que o teste em si não é difícil. "Mas é preciso estudar muito, decorar muitas informações, pois é algo que não faz parte do dia-a-dia de muita gente". Por este motivo é comum muitos candidatos esperarem um semestre e fazer uma nova prova a fim de conseguir o Certificado de Conhecimentos Teóricos - CCT.

"Feita a aprovação é hora de correr atrás e sair mandando currículos. Mas quem pensa que é só isso está bem enganado. É preciso se informar sobre o mercado, sobre a participação das empresas, principalmente das fusões, para sair na frente e buscar as vagas o mais rápido possível", informa a comissária.

Quem conquista o primeiro emprego na carreira não entra logo de cara no avião. Antes de voar alto, cada empresa ainda oferece um treinamento exigido pela ANAC, o qual o futuro comissário recebe instruções sobre as aeronaves. Os futuros comissários também recebem um certificado de habilitação do Serviço Regional de Aviação Civil.


"Também se deve passar por um treinamento de vôo, em média feito com 15 horas, sendo que uma delas deve ser comprovada por profissionais da ANAC. Depois disso, a própria empresa pede o CHT (Certificado de Habilitação Técnica em Instrução) permanente, assim ele está apto para assumir a função", explica. Aí é se preparar para uma rotina puxada, com direito a uma folga na semana depois de 14 horas de trabalho e passar boa parte do tempo nas alturas.

Por Juliana Lopes

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