Como anda o mercado de engenharia para as mulheres?

Engenharia para mulheres

Foto: Tim Pannell/Corbis

A edição de março de 2013 do Jornal Engenheiro divulgou que, de acordo com o Censo 2011 do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), as mulheres representam quase 30% do total de matrículas em cursos de Engenharia.

Parece pouco, mas, em 2000 eram 19%. Porém, mesmo com esse crescimento, ainda vemos poucas engenheiras no mercado. Por que será?

"Sinto que a maioria das pessoas não conhece o curso de Engenharia. Os alunos do Ensino Médio dizem que engenheiro é aquele que constrói casas. Por isso a profissão é pouco aceita pelas mulheres", diz Cássia Silveira de Assis, professora doutora e coordenadora do curso de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia Mauá.

A profissional é a primeira mulher a assumir o cargo de coordenadora em 49 anos de existência da instituição. Na Faculdade de Engenharia Mauá, as mulheres correspondem a 32% do número de matrículas, contra 68% dos homens. A demanda maior de mulheres é para as áreas de química e de alimentos. Depois vêm civil e mecânica. A procura menor é para as áreas de elétrica e automação.

E o que muita gente não percebe é que a Engenharia não é puramente braçal, mas também é um ato de pensar, de engenhar, criar solução para um problema. "As mulheres são melhores alunas e estão mais preparadas para engenhar. A resistência das empresas é cultural. É o preconceito que não permite que o público feminino cresça nesse mercado", comenta Cássia.

E a coordenadora viveu esse preconceito na pele. Ela conta que, na época em que estudava Engenharia, sofria um bocado para visitar as obras da linha azul do Metrô de São Paulo. Isso porque, para os homens, mulheres em obras davam azar. "A gente tinha que se ‘vestir de homem’, escondendo o cabelo debaixo do capacete e usando calças e blusas largas. Hoje há mulheres fazendo gerenciamento de obras", ressalta, comemorando a evolução.

Feliz, ela comemora outra conquista da feminina. "A General Motors (sediada nos Estados Unidos) nomeou Mary Barra, que vai suceder Dan Akerson". É a primeira mulher a ocupar o cargo de CEO da principal montadora americana.

Além do preconceito, a coordenadora aponta a demanda social feminina como sendo outro obstáculo. A mulher precisa ser mãe e profissional e acaba procurando somente as empresas que permitam que ela se organize da melhor maneira. Por conta disso há muitas engenheiras na área de ensino, porque nesse segmento elas conseguem dar conta de todas as suas tarefas.

As empresas também se mostram resistentes às profissionais que querem ser mães, porque terão que se ausentar durante a licença-maternidade. Mas Cássia pondera: "Essa ausência é temporária. A engenheira que se dispõe a ser multitarefa vai realizar suas atividades com responsabilidade. Onde a mulher percebe que não tem preconceito, ela se destaca. É preciso estudar bastante, mas tendo dedicação, certamente vai se destacar", diz a coordenadora que também se divide entre o trabalho e o exercício da maternidade.

Engenheiras mirins

Uma linha de brinquedos internacional vem desenvolvendo as habilidades necessárias para as meninas que pretendem ingressar futuramente no mundo da engenharia. A "GoldieBlox" foi criada pela engenheira Debbie Sterling, que se frustrou ao ver que cada vez menos meninas se interessavam pela área.

"As meninas começam a perder o interesse pela ciência muito jovem, aos oito anos de idade. Esta é a nossa chance de mudar essa estatística", conta Debby no site "Kickstarter" para explicar sua motivação para criar a linha. O vídeo acima procura mostrar a grande capacidade que as meninas têm de inventar. Bastar dar as ferramentas certas.

O brinquedo, destinado a meninas de cinco a nove anos, traz um livro de história e um kit de construção. Na história, a heroína Goldie e sua turma precisam resolver uma série de desafios de engenharia e construir algo para ajudar seus amigos.

E sabe o porquê do livro? Segundo a pesquisa realizada pela criadora da linha, os meninos gostam apenas de construir, enquanto as meninas precisam saber os motivos pelos quais estão construindo.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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