Começar na empresa - siga o exemplo do inventor do Post-It

Começar na empresa

Art Fry. Foto Reprodução Facebook

Entrar em um novo cargo em uma nova empresa costuma trazer insegurança. E a situação pode piorar quando um funcionário estreante substitui uma pessoa que já trabalhava há muito tempo naquela função. Nesse caso, prejudicar o fluxo de trabalho e a organização do ambiente são perigos latentes. Além disso, vale lembrar que em qualquer situação a nova pessoa estará lidando com seres humanos, que nem sempre agem de forma racional.

É fácil perceber que não existem fórmulas de como se comportar nessas circunstâncias. Porém algumas dicas e lembretes podem fazer a diferença. O consultor e professor de estratégias de comunicação e marketing, Mário Persona, dá algumas recomendações de como substituir alguém sem causar transtornos na nova empresa.

Discrição é uma parte praticamente essencial da postura de alguém que começou a integrar um novo ambiente de trabalho. Persona aponta que ideias ou sugestões novas devem ser apresentadas de formas homeopáticas e com muito cuidado. "Às vezes você precisará chamar atenção para a qualidade de seu trabalho, suas atitudes e sua pró-atividade, antes de querer introduzir alguma ideia nova. Isto significa ganhar a confiança e o respeito dos colegas, para ir aos poucos introduzindo sugestões de pequeno impacto até chegar àquilo que realmente pretende", indica o consultor.

Ele exemplifica com o caso do inventor do Post-It, Art Fry. "Ele começou a usar os bilhetinhos aderentes em seu trabalho e aos poucos os colegas passaram a pedir bloquinhos. Quando ficaram viciados na ideia, a direção da empresa acabou levando a sério o adesivo que nunca secava, que seu colega Spencer Silver tinha inventado antes", conta. Portanto, segundo o consultor, colocar uma ideia diferente em prática sem estardalhaço também é uma boa estratégia.

O consultor ressalta que a abertura na hora de apresentar novas ideias sob o status de novo funcionário muda de acordo com o tipo de cargo que a pessoa ocupa. Funções ocupacionais ou administrativas requerem maneiras distintas de comportamento. "Alguém em uma função operacional sempre vai ter uma dificuldade maior para colocar ideias que possam contar pontos, principalmente quando as mesmas podem ajudar a subir de posto. Já alguém em uma função administrativa está mais perto das pessoas de decisão e, dependendo de seu relacionamento com elas, pode criar oportunidades para apresentar o que pensa", explica.

O relacionamento com os novos colegas de trabalho é outro item que merece atenção. Criar laços é importante, mas não se deve ir com muita sede ao pote. Persona explica o porquê: "Na pressa você pode acabar fazendo um juízo errado e começar uma amizade com pessoas de reputação questionável ou que estejam queimadas naquele departamento, e logo de cara pode acabar criando a impressão de que é ‘farinha do mesmo saco’".

De acordo com o consultor também é importante lembrar que criticar ou dar palpites no início de seu exercício na empresa não é uma boa estratégia. E por ser uma atitude instintiva que remete à ideia de demarcar território, ela exige que o novo funcionário se policie em dobro.

Se no começo você não estiver sendo produtivo no novo cargo, isso não é motivo para preocupação. Para Persona, dificilmente alguém consegue render no trabalho assim que assume uma nova função. Ele aponta, porém, que nesses casos vale a pena ao menos parecer produtivo. "É conveniente começar chegando antes de seus colegas e saindo depois, usando esse tempo extra para aprender mais sobre a função. Apesar de uma atitude assim nem sempre ser bem vista por seus colegas imediatos, a impressão de eficiência que você causará será permanente, porque a primeira impressão é a que fica", explica o consultor.


E como se comportar em relação ao novo chefe? Para Persona, como qualquer outro ser humano, ele não que ter seu trono ameaçado. A não ser que isso signifique a oportunidade de ele subir um degrau e ser promovido. Então, tentar parecer ser melhor que o chefe como vaidade é uma postura inaceitável. De acordo com o consultor, o importante é se tornar uma espécie de aliada do comandante da empresa. "Lembre-se de que um chefe competente é elevador, e quem estiver com ele sobe junto. Portanto seja amiga", indica.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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