Chefe paternalista: preferência nacional

Chefe paternalista preferência nacional

Você gosta do seu chefe? Mudaria o jeito de trabalhar dele ou dela? Muitos brasileiros optariam por transformar seus líderes, pois preferem os mais paternalistas. Foi isso que constatou um recente estudo publicado por Alfredo Behrens, professor e pesquisador do Profuturo (Programa de Estudos do Futuro), da FIA (Fundação Instituto de Administração), em São Paulo.

A pesquisa, baseada em experimentos da Universidade de Harvard, foi realizada com alunos de MBA, brasileiros e estrangeiros. Todos assistiram a cerca de seis segundos de vídeos divulgados na internet e selecionados pelos pesquisadores. Cada vídeo se tratava de uma apresentação de alguma liderança. O detalhe é que o áudio foi completamente cortado! "Procuramos analisar o lado mais intuitivo dos pesquisados e descobrir qual tipo de chefe os deixava mais à vontade", explica Alfredo.

Todos os estudantes mostraram preferência pelo líder que conquista a admiração dos colaboradores pela inteligência. No entanto, quando questionados a respeito do que a maioria da população de seu país escolheria, os brasileiros apontaram o estilo paternalista. "Essa diferença ocorreu porque nos países mais ricos não há tantas desigualdades sociais, o que leva seus alunos de MBA a enxergar os demais trabalhadores como iguais, com gostos e visões semelhantes", diz o professor.

Foi realizada uma segunda fase de pesquisas, durante uma palestra com mais de 400 pessoas. Dois terços delas escolheram o chefe mais carismático, o "líder que tolera tudo, um ‘paizão’ super protetor, extremamente compreensivo e ‘amigo’ de seus subordinados", como define Daniella Correa, consultora de Recursos Humanos da Catho Online. "Outra constatação importante é que os brasileiros distinguiram os líderes nacionais dos estrangeiros e preferem os nacionais", afirma o pesquisador.

Daniella acredita que esse estilo de liderança pode prejudicar o desenvolvimento dos colaboradores, pois o superior tende a não orientar corretamente seus subordinados, acarretando resultados insuficientes. "Essa postura é negativa para o chefe, que por não trazer bons resultados, dificilmente irá se manter na empresa. E para o subordinado, que irá estacar o seu desenvolvimento"

Mas também existe o outro lado. "A chefia carismática pode fazer os colaboradores se engajarem mais nos projetos da empresa, trazendo melhorias ao desenvolvimento em geral", diz Alfredo.

O professor lembra que o populismo, modelo de governança que sempre esteve presente em países latinos, pode ser a razão da preferência nacional pelo chefe "paizão". "É comum as pessoas serem seduzidas por benefícios e proteção oferecidos pela chefia paternalista", diz.

O publicitário e humorista Felipe Junqueira acredita que "as pessoas preferem os chefes paternalistas porque querem ser menos cobradas e mais ‘mimadas’ e muitas vezes acabam fazendo o que querem dentro da empresa". E ele completa: "Isso prejudica a própria pessoa".

Apesar dessa observação, Felipe foge à regra e escolhe um estilo mais sério de liderança. "O chefe tem que ter uma postura diferente, não necessariamente autoritário, mas sério com todos os seus liderados, para obter respeito e resultados", acredita.

Daniella concorda com o publicitário. "Não há um modelo ideal de chefe. Um bom chefe é aquele que orienta sua equipe, sabe ouvir, se comunicar, é participativo, delega responsabilidades, indica e acompanha os resultados a serem alcançados e informa ao grupo onde estão progredindo e o que precisa ser melhorado", declara.


Para a consultora, o líder deve ser equilibrado: "É preciso ter uma relação saudável com a equipe, sem excessos de bondade ou de autoritarismo". Alfredo também deixa claro que não existe a chefia perfeita. "O que posso afirmar com convicção é que o indivíduo que gosta de ser brasileiro é ideal para dirigir brasileiros, e o estrangeiro, para dirigir estrangeiros. Se o líder é uma pessoa flexível e respeita diferentes culturas, há chance de ele se dar bem em vários países", afirma.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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