Casais inteligentes negociam o divórcio

Casais inteligentes negociam o divórcio

Foto: divulgação TV Globo/Estevam Avellar

Segundo dados do IBGE, nos últimos cinco anos o número de divórcios no Brasil cresceu 75%, saltando de 80.000 para 140.000 por ano. O principal motivo para esse aumento são as mudanças no Código Civil, que derrubaram exigências como prazo de dois anos de separação antes do fim do casamento.

No entanto, embora a legislação tenha facilitado o divórcio, os prejuízos financeiros que ele acarreta ao casal e à família precisam ser avaliados com cuidado, afirma Marcelo Maron, Diretor Executivo do Grupo PAR.

Considerando um exemplo de um casal cuja renda somada é de R$ 6 mil, o estilo de vida que esta família tem antes do divórcio será consideravelmente melhor do que no caso da separação, quando cada um terá que viver com R$ 3mil, cabendo a uma das partes, ainda, custear a pensão da outra parte.

"Muitas pessoas acham que cabe sempre ao homem pagar essa pensão, mas a justiça já tem dado sentenças onde cabe à mulher esse pagamento, especialmente se ela tem um emprego melhor remunerado que o do marido", explica Maron.

Com a separação, surge a necessidade de divisão de bens e esse processo pode representar uma grave perda de patrimônio, levando toda a família para padrões de vida muito inferiores ao que ela tinha, com asconsequências diretas na relação com os filhos.

"Tendo como base um casal que adquiriu seu imóvel e paga prestações de um financiamento imobiliário, caso de milhares de casais brasileiros, uma separação pode fazer um belíssimo estrago no que foi construído durante anos, principalmente se ela não for amigável. A venda de um único imóvel pertencente à família não gerará dinheiro suficiente para a compra de dois no mesmo padrão, ainda mais se ele não estiver inteiramente pago. Se o casal já assume uma prestação, terá que assumir duas com a separação, cada um pagando o seu imóvel. Se vivem dealuguel, serão dois aluguéis daí por diante", alerta.

Pensão Alimentícia

E nos casos onde apenas um dos cônjuges trabalha, o impacto financeiro pode ser ainda mais intenso, pois quem ganha dinheiro pagará uma pensão dada aos filhos, normalmente fixada em cerca de 30% da renda bruta auferida, o que, para salários maiores, pode chegar a quase metade da renda líquida. Quem recebe a pensão terá de sustentar uma casa inteira com apenas esta parte da renda, sempre sujeita a turbulências, como uma perda de emprego do ex-cônjuge ou qualquer outro problema.

O diretor ainda sugere que casais inteligentes, que negociam o divórcio, podem perder muito menos do que normalmente se perde nesses casos. "Encarando esse problema com a frieza necessária, é possível até manter certos bens em sistema de compartilhamento, evitando-se, assim, a necessidade de vendê-los a preços aviltados", conclui.

Por Livany Salles

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