Carreira pública

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Estabilidade, bons salários e vários benefícios, atrativos suficientes para muita gente ingressar em concursos públicos, mercado que já movimenta cerca de R$ 1 milhão por ano.

Se a oferta é boa, a procura é maior ainda. Em 2005, quando Juliana Lopes da Cruz, de 27 anos, concorreu a uma vaga no concurso da Advocacia Geral da União (AGU), aproximadamente 20 mil candidatos fizeram a prova e somente cerca de 350 foram chamados.

Antes de chegar até AGU, a advogada ingressou na carreira pública aos 18 anos como técnica administrativa do Banco do Brasil. Durante a faculdade, ela foi aprovada no concurso do Tribunal Regional Eleitoral, mas como se tratava de um cargo de nível médio ainda almejava outras vagas.

Ao final da faculdade, ela continuou trabalhando e com os estudos. “Aproveitava o pouco tempo que tinha para me concentrar ao máximo. Também fiz cursinho por um ano, o que ajudou muito no meu aprimoramento”, acrescenta.

Durante o período noturno, antes destinado ao curso, Juliana manteve em casa a rotina disciplinada de estudos e muita leitura. Após três concursos, ela finalmente foi aprovada em 2004 e começou a trabalhar um ano depois. Nesse intervalo, a ansiedade era grande, principalmente enquanto boatos ou notícias sobre a convocação dos aprovados circulavam em fóruns na internet.

“Quando comecei na AGU foi outra batalha. Fui convocada para Brasília, uma cidade que não conhecia. Tudo era muito novo para mim, mas foi um período em que fiz muitas amizades, pois tinha gente do Brasil todo por lá. Após um ano consegui transferência para São Paulo e voltei para casa”, completa a advogada.

Disciplina

Quem almeja uma vaga na carreira pública é advogada Mariana Prieto Douradinho, de 26 anos. O interesse pelos concursos começou durante o estágio no Ministério Público. Após um ano no conhecido cursinho Marcato, ela mantém uma rotina de oito horas diárias para dar conta das dez matérias, cada uma por dia. “Gosto de alternar o local. Vou à biblioteca para trocar informações com outras pessoas. Outros dias permaneço em casa porque gosto de estudar em voz alta”, explica.

A cada mês, Mariana faz em média duas a três provas, todas nos finais de semana, algumas em cidades distantes. Sendo assim, o custo mensal gira em torno de R$300, incluindo a compra de novos livros. “Às vezes, a gente vê pessoas que não passaram por pouquíssimos pontos. Mas é preciso ter muita fé e se motivar todos os dias, porque vale à pena”.

Perfil profissional

Todos os anos mais de cinco milhões de brasileiros vão em busca do sonhado serviço público. Muitas vezes, somente a estabilidade é o principal motivo para ingressar nesta carreira. “Isso pode ser perigoso porque não é todo mundo que gosta de um dia-a-dia burocrático e mecânico. Em muitos casos, os candidatos até entram em áreas distantes da sua formação e acabam se decepcionando”, lembra Neli Barboza, gerente de consultoria da Manager Assessoria em Recursos Humanos

Conforme a especialista, o trabalho público é atraente para pessoas metódicas, que gostam de ambientes tranqüilos e sem competitividade, e estão em busca de qualidade de vida.

Dica de leitura

Como passar em provas e concursos

William Douglas

Editora Campus

Por Juliana Lopes

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