Carreira depois dos 40 - estudar ou abrir um negócio próprio?

Carreira depois dos 40

Foto: Phaitoon goo.gl/bR70w

Com um mercado cada vez mais mutável, fica difícil imaginar que ficaremos anos a fio numa mesma empresa exercendo sempre a mesma função. Por conta das mudanças repentinas nos cargos e nas exigências profissionais, só se adapta a tudo isso quem busca sempre uma forma de se manter atualizado, seja por meio de cursos técnicos rápidos, de graduação ou pós.

E as mulheres sabem bem disso, muitas delas não se acomodam e vão atrás de novas oportunidades. Apesar da experiência e da sabedoria, a adrenalina da juventude ainda corre nas veias e a vontade de ampliar os horizontes faz parte da rotina de muitas delas.

"Quem chega neste faixa de idade e não se preocupa em reciclar seus conhecimentos, pode se surpreender com a volta ao banco do recrutamento sem ter um plano B na manga. É só então que a profissional percebe o valor de se investir na carreira vigente e em uma paralela, para usar como rota de fuga", comenta o consultor e palestrante Mário Persona

Se a ideia é atuar numa nova área a sugestão do consultor é fazer uma lista das atividades pretendidas e definir quais delas permitem um acesso rápido e sem o empenho de mais quatro ou cinco anos de sala de aula. Para quem tem tempo, a faculdade faz diferença, por conta do peso do diploma. Mas Persona pondera que, na maioria dos casos, nem é a especialidade que conta, mas o canudo, já que é grande o número de profissionais que não atuam em suas áreas de estudo. "Em casos assim, a experiência acadêmica entra mais como poder de análise e síntese de qualquer conhecimento do que de capacidade de atuação em uma área específica".

É importante ressaltar também que, para o selecionador, qualquer que seja o curso, ele será apenas mais uma linha no currículo. O que irá contar mesmo é a capacidade que cada profissional tem de trazer lucro para a empresa. "Às vezes pode-se tentar uma estratégia alternativa, apresentando atividades interessantes e úteis o suficiente para chamar a atenção do empregador e, ao mesmo tempo, não competir diretamente com uma candidata mais jovem e cheia de títulos acadêmicos", sugere Mário.

E dá dicas: "Os anos que a pessoa ajudou um asilo podem ser transformados em experiência administrativa; as aulas de teatro em capacidade de adaptação a diferentes cenários de negócios. Minha formação original é em Arquitetura e Urbanismo, e hoje posso ver o quanto de noções de marketing, compreensão do comportamento humano e visão 3D das situações aquele curso me deu para eu atuar hoje como consultor e palestrante."

Mesmo voltando para a sala de aula, é errado pensar que a reentrada no mercado é garantida. Isso porque, conforme lembra o palestrante, as faculdades despejam todos os anos milhares de pessoas ávidas por qualquer posto a qualquer salário e é improvável que uma profissional veterana e experiente queira se sujeitar a entrar nesse ringue e disputar vagas com as amigas de sua filha. "Por que alguém com experiência de vida e mercado irá querer se parecer profissionalmente com uma profissional que ainda engatinha? O melhor mesmo é não descer de sua capacidade, mas procurar traduzir em novas virtudes profissionais sua experiência de vida."

Outra proposta do consultor é a abertura de um negócio próprio, o que pode exigir conhecimentos novos e diversificados, mas nem sempre convencionais ou formalizados por um diploma. "Estudar pode até dar uma sensação de ocupação, mas é uma ocupação que consome recursos e não uma fonte de renda como é o trabalho", lembra. "Quando a crise assolou os Estados Unidos, as pessoas de 60, 70, cujas aposentarias eram decorrentes de empresas de ações que quebraram, voltaram ao mercado trabalhando como caixas em supermercados", completa.

Antes de dar este passo, o especialista pede que o profissional se questione sobre o que pode fazer sem precisar de dinheiro, instalações físicas, equipamento, estoque e funcionários. "Há negócios viáveis e rentáveis que não exigem essas coisas. Corretor de imóveis é um deles. Bastam um curso rápido, um celular e bons relacionamentos para começar", afirma. "Trabalhar como representante comercial também dispensa até o curso rápido e existe a possibilidade de se terceirizar o ônus do investimento, local físico, estoque, equipamento e funcionários para a empresa que representa".

Carreira depois dos 40

Foto: Reprodução

O sonho do próprio negócio

Quem chegou aos 40 e resolveu abrir o próprio negócio foi Elza Maria Ferreira Miguel, de 53 anos. Até o ano 2000, ela deu aula em escolas particulares para alunos de 1ª a 4ª séries. Mas como não era concursada, enfrentou dificuldades para se manter no emprego depois dos 40. "Os pais pressionam e as escolas começam a preferir professores mais jovens para lidar com as crianças", lamenta Elza, que lecionou durante 17 anos.

Formada em Pedagogia com especialização em administração e orientação, Elza não desanimou e passou a olhar o mercado. Viu que, naquela época, a informática batia à porta e poucos professores sabiam manusear o computador. Sem pestanejar, entrou num curso de computação e passou a tirar dúvidas dos alunos pela internet. Foi descoberta por um site de educação e chamada para coordenar o projeto, que desenvolvia planos de aula e material de apoio para professores e alunos dentro e fora da sala de aula.

"Até algum tempo, estes sites faziam convênios com escolar particulares. Mas com o ‘boom’ da internet, outros sites passaram a fazer o mesmo e de graça. Logo, as escolas não viam necessidade em pagar por um serviço que era encontrado facilmente na rede. Em 2008 perdemos força e tive que pensar em outra forma de não ficar parada", conta a professora.

Foi então que Elza pensou em abrir um negócio próprio. Aconselhada pelas irmãs que também são professoras, foi conhecer a Tutores, uma empresa que oferece aulas particulares e reforço escolar para estudantes de várias idades. Isso aconteceu em 2010. "Entrei em contato e me interessei em abrir uma franquia na região de Santa Cecília, pois morei lá muitos anos, hoje moro em Perdizes, mas não tinha o dinheiro. Aí desanimei e fui dar aulas particulares".


Mas a professora não desistiu. Voltou a entrar em contato com a empresa e desta vez tinha a área que ela queria. Entrou em negociação, contou com a ajuda do marido e abriu a franquia em Santa Cecília em fevereiro deste ano. "O valor da franquia era de R$ 15.000, fora gastos com local, material, papelada para abrir firma. Parcelei tudo e agora estou estudando terreno, vendo professores e divulgando o trabalho.

Elza finaliza defendendo que a ideia de abrir um negócio próprio só deu certo porque ela buscou investir em algo que gostava e que sabia fazer. "Como eu disse, eu até tentei abrir um pet shop. Gosto de cachorro, mas não entendo do negócio. Então resolvi apostar em algo voltado para educação e estou muito animada!"

Por Juliana Falcão (MBPress)

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