Carreira - Mulheres no canteiro de obras

Carreira  Mulheres no canteiro de obras

Foi-se o tempo em que as mulheres precisavam da ajuda masculina até para trocarem uma simples lâmpada! Dominando cada vez mais o mercado de trabalho, elas chegaram com força aos canteiros de obras e, em meio a andaimes, tijolos, concreto, areia e tudo o que envolve a construção civil, elas provam que também são capazes de erguer uma cidade!

Um dos fatores que vem impulsionando a força de trabalho feminina para esta área são as atuais tecnologias de construção disponíveis nas obras, pois dispensam a força física como principal atributo para a função. É o que explica Norma Sá, coordenadora do Projeto Mão na Massa, um trabalho que usa o impacto da construção civil para transformar a vida de mulheres em situação de vulnerabilidade social no Rio de Janeiro.

Dirigido a mulheres de 18 a 45 anos com escolaridade igual ou superior ao 5º ano do Ensino Fundamental, visa a formação e inserção de pedreiras, carpinteiras de fôrma, pintoras e eletricistas em canteiro de obras. O detalhe é que o projeto foi criado em 2007 a partir de uma pesquisa com 216 mulheres, sendo que mais de 50% delas tinham o interesse em se qualificar para trabalhar na construção civil e acumulavam a experiência de auxiliar na reforma e construção da própria casa. A qualificação é gratuita e prevê certificação do Senai.

"Na realidade, há forte demanda por trabalhadores qualificados no setor da construção civil. No nosso caso, 70% das 210 alunas já formadas estão empregadas. O aquecimento da economia brasileira impulsionou o projeto e uma boa parte delas trabalha em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e outras estão empregadas em construtoras ou realizam serviços de forma autônoma", diz Norma.

Ela conta que as mulheres formadas na área normalmente entram nas obras na função de meio-oficial, cargo situado acima do de ajudante e servente. "Creio que as mulheres estão qualificadas para assumir qualquer função e têm muito a somar: elas são mais atentas ao detalhe e cuidadosas no acabamento, arremate e pintura, o que aumenta a possibilidade de colocação. São mais detalhistas, limpas, organizadas, mais econômicas com o material e melhores administradoras e estão mais dispostas para dar conta do serviço".

Quanto ao salário, diz a coordenadora, no Rio de Janeiro, as contratadas como meio oficial ganham R$ 836. "Se as operárias forem promovidas para a função de oficial passam a receber um valor mínimo R$ 1.067,00. Considerando o grande número de horas extras na construção civil, este salário poderá ser poderá subir mais R$ 300 ao mês".
Carreira  Mulheres no canteiro de obras

Se elas sofrem discriminação? "A discriminação está diretamente relacionada à capacidade de exercer a função e quando as mulheres mostram que estão qualificadas e são capazes de executar bem a tarefa proposta naturalmente derrubam estas barreiras. Como monitoramos os resultados do projeto e visitamos empregadores e canteiros nos quais as ex-alunas foram inseridas sempre conversamos com outros operários, mestres de obra, engenheiros e encarregados. E não percebemos qualquer discriminação entre homens e mulheres que, na realidade, são colegas de trabalho. Nossa maior dificuldade é vencer o fato de que há poucas construtoras que empregam mulheres. Há um caminho ainda a ser percorrido e vamos chegar lá", ressalta Norma Sá.

Respeito

Quem concorda é a pedreira carioca Daiana Garcia Aguiar, de 23 anos, ex-aluna do projeto Mão na Massa. Ela conta que fazia alguns trabalhos como pedreira na própria casa onde mora e aprendeu nas aulas a fazer, por exemplo, o assentamento de tijolos. Ganhou respeito no canteiro de obras por mostrar sua competência profissional.

"Estou nessa área há cerca de três anos. No início, a presença de mulheres não era muito comum e os homens ficavam curiosos, vinham ver. Começaram, então, a perceber que o meu trabalho também era de qualidade e assim conquistei respeito".


Daiana tem uma filha de seis anos e diz que é possível conciliar o trabalho com a função de mãe, exatamente como em outras profissões. "Já fui contratada por duas construtoras e também trabalhei em obras do PAC aqui no Rio. Agora, quero fazer o curso de ladrilheiro".

E olha, até mesmo neste tipo de trabalho é possível manter a aparência sempre em dia! "Não dá para ter muita frescura. Não podemos esquecer que a utilização do equipamento de segurança é o mais importante. Mas eu, por exemplo, não descuido nunca do protetor solar".

Por Adriana Cocco

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