Café com leite

Recentemente me deparei com uma imagem emblemática e muito significativa de uma época do feminismo, o pôster chamado Rose the Riveter. Para quem não se lembra, a imagem foi um ícone do feminismo durante a Segunda Guerra Mundial. O poster trazia o desenho de uma mulher com a frase "We can do it", em português "Nós podemos".

Ele foi usado para elevar a moral das mulheres que, pela primeira vez nas suas vidas, se tornavam parte integrante da força de produção americana, para compensar a falta de mão de obra provocada pela ida de soldados para a guerra. Claramente era uma demonstração de força, determinação e capacidade igual a dos homens para enfrentar os desafios daquele momento histórico. Super bacana e louvável, principalmente para a época.

Nesta mesma semana um amigo me contou uma história que me deixou chocada e até um pouco envergonhada de nossa postura feminina, ou melhor, a postura de algumas (espero poucas) mulheres.

Estava ele no aeroporto do Rio tentanto há mais de 20 horas embarcar para São Paulo. Como muitas vezes acontece, o Santos Dumont, pelas condições climáticas foi fechado e vôos cancelados. Pobres passageiros, tiveram que esperar o dia seguinte. Esse dia chega, aquela confusão habitual e a companhia aérea informa que juntarão vôos e que há mais passageiros do que assentos! Todos exaustos e desesperados para retornar para casa, já dá para imaginar o que essa informação provocou: zona total.

Na busca de uma "regra" para definir quem teria prioridade de embarque, uma passageira sugere, na maior cara dura: "mulheres e idosos antes dos homens!" Imaginem essa frase, no ano de 2009, vinda da boca de uma mulher de 30 anos! Ou eu estou louca ou as mulheres armam suas próprias armadilhas? Quando convém, queremos ser fortes, ser remuneradas como os homens e chegar ao topo das empresas. Em outras horas, também por ser mais conveniente, queremos ser frágeis e ter preferência de entrada no avião? Assim não dá!

Mas, para tranquilizar a todos, enfim uma boa notícia: meu amigo apenas perguntou para essa passageira se ela era gestante. Ao ouvir um não, literalmente mandou-a se juntar aos demais passageiros para definirem um critério verdadeiro.


Ser café com leite não é mais coisa de mulher, aliás, acho que já não é mais desde os tempos da Rose the Riveter.Cecília Russo Troiano é psicóloga, sócia-diretora da Troiano Consultoria de Marca e autora do livro "Vida de Equilibrista". Casada e mãe de 2 filhos, ela afirma que é mãe equilibrista, vive sua vida tentando equilibrar "pratinhos". Email - cecilia@troiano.com.br / Venda do livro pelo site www.vidadeequilibrista.com.br

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