Bullying empresarial: como agir?

Bullying empresarial como agir

Um tema que tem conquistado cada vez mais espaço na mídia é o bullying. Crianças e adolescentes chegam a parar de estudar por conta dos traumas causados por ele. Mas não pense que é só dentro das escolas que ele marca presença. No ambiente de trabalho é possível identificar casos bem semelhantes.

Uma pesquisa realizada pela empresa Robert Half com 2525 executivos de alta gestão em Recursos Humanos e Finanças constatou que para 60% dos brasileiros consultados, fofocas e colegas de trabalho desagradáveis representam a principal razão para o estresse nas corporações. Este fator pesa ainda mais entre o público feminino: o problema foi apontado por 66% das mulheres, contra 49% dos homens.

Entre os problemas causados pelo bullying estão problemas psicológicos, gastrite e perda de motivação. "A pessoa também passa a não ter vontade sair para trabalhar e acaba não fazendo as atividades diárias, com medo de errar e sofrer alguma penalidade. A pessoa fica tão retraída que não tem forças para lutar contra isso, de procurar um novo emprego", conta Sócrates Melo, diretor de divisão de projetos da Robert Ralf.

Não dá para afirmar que o bullying dentro das empresas acontece da mesma forma que nas escolas, mas sabe-se que o cenário dentro das empresas nacionais está voltado para a execução em busca de bons e rápidos resultados. "Alguns gestores estão confundindo a necessidade de respostas positivas com falta de respeito e de limite, o que tem gerado um estresse cada vez maior dentro das empresas", comenta Melo.

Quando um funcionário ouve uma confidência e abre a informação para outros colegas de trabalho, humilhando a pessoa e causando um estresse emocional, a ação pode ser descrita como bullying. "Outro exemplo bastante comum é gritar com o funcionário que não consegue atingir um determinado resultado. Ou seja, tudo que foge aos padrões de comportamento e gera estresse se enquadra no que chamamos de bullying empresarial", explica Sócrates.

Infelizmente, muitas empresas ainda não sabem com este problema. Quando o colega de trabalho reclama das atitudes do outro, nem sempre é compreendido de maneira correta. "Os demais colegas podem achar que ele gosta de criar caso com tudo ou até ser considerado fraco, causador de problemas ou competitivo demais".

Para se tornar assertivo na hora de solucionar questões relacionadas ao bullying, Sócretes diz que, primeiramente, é preciso conhecer os critérios e valores da empresa onde se trabalha. E sempre é necessário adotar uma postura que minimize todo tipo de problema. "A pessoa deve ser clara, franca, assumir quando errar e não deixar para resolver os problemas depois, porque eles se acumulam e viram uma bola de neve. E quando você vai tentar solucioná-los, já viraram caso de assédio moral".


Sócrates acredita também que não é possível identificar um cargo dentro das empresas que seja alvo constante de bullying, mas afirma que este problema pode atingir os mais diversos níveis. "Pode ser entre presidente e diretor, funcionário da matriz fora do país e outro que trabalha na filial, coordenador e analista ou estagiário. Mas penso que a pessoa que cresceu dentro da empresa, ou que conquistou uma projeção melhor na vida, sabe lidar melhor com a pressão do dia a dia. Por isso, espera-se dela mais controle e menos erros", comenta. E finaliza: "não adianta querer atingir bons resultados com pressões desmedidas e dentro de um ambiente pesado. A qualidade de vida precisa estar aliada ao desejo de obter sucesso", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

Comente