Brunna, a menina luz do jet ski

Brunna a menina luz do jet ski

Foto: arquivo pessoal.

Ela nasceu com o esporte nas veias e adrenalina como amiga de infância. Aos quatro anos, a paulistana Brunna Luz já sabia pilotar, sozinha, aquilo que um dia a tornaria uma estrela das águas: o jet ski.

"Desde sempre gostei de esportes radicais, com uns cinco ou seis anos ganhei minha primeira moto à gasolina, de 50 cilindradas, e três anos depois, ganhei uma de 80. Comecei a gostar do jet ski vendo meus irmãos andarem. Desde pequena, sempre gostei de água. Minha mãe falava que eu era um peixe, pois não saía da piscina", brinca.

Hoje, aos 18 anos, Brunna participa das maiores competições de jet ski do mundo. Além disso, carrega o título de atual campeã brasileira de jet ski.

Essa espécie de moto da água simplesmente entrou na vida de Brunna, quase que naturalmente. A atleta tem quatro irmãos: Duda, Ricardo e Renato - todos corredores de moto - e Jane, que corre de carro. Está no sangue mesmo.

"Sempre tive a desenvoltura para esportes radicais e o jet ski aconteceu de repente. Fui em um ‘boat show’, em São Paulo, e acabei conhecendo o campeão brasileiro da modalidade, em 2007. Até então, não fazia ideia da existência de corridas de jet ski. A minha primeira ideia era correr de moto, mas meu pai, na época em que ele corria, sofreu um acidente muito grave, e infelizmente ou felizmente, não me deixou ir às pistas", lembra a menina.

Na trajetória de sucesso de Brunna, nem sempre o mar esteve para peixe. Quando começou sua aventura pelos oceanos, suas classificações não foram lá tão boas. E isso só mudou quando a esportista começou a treinar religiosamente. "Mudei de equipamento e equipe, assim fui campeã paulista em duas categorias, tanto na feminina quando na masculina. As coisas foram acontecendo e as pessoas foram percebendo. Na minha primeira corrida, em 2007, um amigo falou para o meu pai ‘ela vai ser campeã brasileira em dois anos, ela tem muito talento", relembra a atleta.

Brunna a menina luz do jet ski

Foto: arquivo pessoal.

E não deu outra. Em 2009, Brunna conquistou o tão sonhado título brasileiro na categoria 1.800 Stock, uma das mais importantes atualmente. E todo esse talento é nato. "Não fiz nenhum tipo de curso, foi uma coisa natural, que se aprende sozinho, treinando, montando um circuito de boias e fazendo a pista", afirma. Mas ela também tem seu segredinho. "Treino com Deninho Casarini, meu mestre, meu amigo e meu chefe de equipe, três vezes campeão do mundo e 12 vezes campeão brasileiro", conta Brunna. "Melhor professor que esse, impossível!".

Mesmo assim, a campeã não tira os pezinhos do chão. "Ainda tenho muitos anos para tentar o título mundial", diz. Por sorte, a família sempre a apoiou muito. E o fato de ser agitada só ajudou. "Meus pais e irmãos sempre me incentivaram muito. Sou hiperativa, portanto eu sempre preciso de algo para me envolver. As corridas me dão mais disciplina e concentração", conta a paulistana.

Como não existe uma categoria feminina forte no Brasil, Brunna precisa correr com homens. Mas, por sorte, foi muito bem aceita por eles, dando um show de profissionalismo e habilidade. "Não existe preconceito, muito pelo contrário, sou amiga de todos os pilotos. Eles, às vezes, ficam um pouco bravos por perder de uma garota de 18 anos e 1,56 de altura, mas se eu fosse homem, acho que também ficaria!", brinca.

A única dificuldade mesmo é o financiamento desse esporte. O jet ski envolve muito dinheiro, por conta de equipamentos e treino. O patrocínio é pouco e a quantidade de pessoas que desconhecem o esporte é enorme.


Para se manter sempre saudável e disposta, Brunna diz que tem uma alimentação rígida. Fora os treinos durante a semana, ainda arranja um tempinho para o "moto cross" aos finais de semana - quando não tem treino de jet - além de frequentar diariamente a academia e estudar pela manhã. Ufa, haja fôlego. O jeito agora é esperar pelo próximo título: o mundial.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

Comente

Assuntos relacionados: carreira esporte atleta perfil