Brasileiros no exterior

Frances Reuther

Arquivo pessoal - Frances Reuther

Bons salários em dólar e vagas no mercado de trabalho eram razões suficientes para muita gente ir em busca de oportunidades nos Estados Unidos. Mas a crise financeira fez muitos brasileiros desistir da idéia ou mesmo voltar para casa. “Conheci muitos que já voltaram para o Brasil. Mas em geral têm aqueles que vêm com o intuito de fazer um dinheiro rápido. Às vezes chegam a trabalhar em três empregos e mal tem tempo para o lazer”, conta a jornalista Frances Reuther.

Ao contrário de muita gente, a brasileira está conseguindo contornar a situação apesar das dificuldades. Sempre com espírito empreendedor, a jornalista que nasceu no Maranhão e foi criada no Rio de Janeiro e São Paulo já trabalhou em vários veículos, desde Folha de São Paulo, TV Globo e TV Record. Antes de ir para São Francisco, ela trabalhava como assessora de imprensa do senador Demóstenes Torres (DEM), mas queria ir além. Com uma boa experiência em comunicação, ela resolveu mudar totalmente de vida em 2005.

Como gostava de massoterapia e drenagem linfática, e já tinha no currículo cursos de Reiki e Shiatsu, ficou hospedada na casa de uma amiga e aplicava massagens em trabalhadores que se desgastavam muito fisicamente. “Housecleaner, entregadores de jornais ou motoristas. Gente com problema de dor muscular, bursite, tendinite e estresse. Foi nessa época que conheci meu atual marido”.

Depois de um ano, ela conseguiu o certificado de massagista (Certified Massage Therapy) que é exigido. “É uma exigência para atuar nessa profissão. Isso te ajuda também a não ser rotulada de prostituta, atividade proibida nos EUA, porque você chega a tirar as impressões num Departamento de Polícia, provando que irá exercer apenas a profissão de massagista profissional”, acrescenta.

Frances Reuther  massagem

Arquivo Pessoal - Frances Reuther

Frances conta que no início chegava a fazer entre quatro e sete massagens por dia, cobrando entre $30 e $40 dólares a hora. Para captar clientes elaborou um blog e colocou anúncios na internet. Conseguiu comprar um carro e uma tábua de massagem para atender nas casas. Hoje, ela cobra cerca de $100 por hora.

Reflexologia, Massagem Sueca e Lomi-lomi (técnica havaiana) são as massagens preferidas pelos americanos. Ela comenta que a clientela chega a se melhor que a brasileira, porque o público é pontual, além de dar muitas gorgetas, que variam de $10 a $50 dólares.

Mesmo depois de conquistar estabilidade financeira como massagista, Frances decidiu que queria voltar ao jornalismo e teve a idéia de criar uma TV na internet, a Brasiltvnews.com, inaugurada em agosto de 2008. Um ano antes, ela elaborou o projeto e com o dinheiro das massagens comprou todos os equipamentos de produção, que são caríssimos, além de fazer vários cursos. Atualmente, ela faz sozinha toda à programação da TV, desde reportagens até a edição. O estúdio é na sua própria casa. “Tenho corrido atrás de parcerias e investimentos, mas infelizmente a web-tv está sofrendo os efeitos da crise. A intenção era faturar com publicidade e patrocínios, mas as empresas não querem investir, mesmo ainda assim continuo persistindo”, revela.

Como dona do próprio negócio, Frances consegue conciliar as duas profissões. “Não faço massagens todos os dias, assim como não tenho entrevistas toda hora. Reservo um espaço de massagem para atender a clientela, ou faço chamadas outcall, em domicílio”.

Em breve, ela pretende se mudar para Los Angeles, principalmente porque a maioria dos brasileiros envolvidos com mídia está lá. Mas é claro que quando a saudades bate, ela volta ao Brasil a passeio para visitar seus vários amigos e parentes espalhados pelo Brasil.

“Amo o Brasil, mas ainda é um país com muitos problemas sociais, muita corrupção, má distribuição de renda e desemprego. Nesse momento os EUA estão em crise, mas o Brasil tem crise quase todos os anos. Ainda tenho muita coisa para fazer aqui nos Estados Unidos”, completa.

Por Juliana Lopes

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