Beleza conta na hora da contratação?

Beleza conta na hora da contratação

No convívio social, ser considerado belo pode trazer prestígio e facilidades para as pessoas, além da admiração de outros. Mas será que essa mesma regra é válida no ambiente corporativo? E na hora da contratação e definição de salários, as pessoas com melhor aparência aos olhos do empregador levam alguma vantagem?

Por incrível que pareça, a resposta é sim em alguns casos. Foi isso que um estudo da Universidade de Yale, em Connecticut, nos Estados Unidos, apontou. De acordo com a pesquisa, as pessoas consideradas mais belas ganhavam em média 10% a mais que as menos "atraentes".

"A boa aparência, de modo geral e nos vários ambientes corporativos, influencia. E não é porque a empresa esteja discriminando os que não têm boa aparência ou, num conceito mais genérico, não são belos e atraentes. Nas empresas sérias, a boa aparência tem a ver com saúde física e psicológica. Pessoa com boa aparência é aquela que parece saudável e bem cuidada", afirma Angela Souza, diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional da empresa Talk Interactive.

Mas, e no Brasil? Será que os "mais bonitos" ganham melhores salários? Pelo jeito, a regra só vale em casos restritos. "Só no mundo exclusivíssimo das celebridades da moda, do cinema e da TV, onde o mercado determina o valor dos salários. Nesse caso, quanto mais requisitado o profissional, mais valor de mercado ele tem. Nesse mundo, o que se vê são profissionais aproveitando a ‘onda’ do momento em que, por circunstâncias que nos escapam, viram ícones", responde a especialista.

No entanto, ela observa que, até no meio artístico, é necessário que o profissional tenha mais que um rostinho bonito. "Em algum momento, o belo ou a bela tem que mostrar competência e talento no que faz. Afinal, numa competição, ganha quem, além da beleza, tiver talento e atitude".

Angela lembra que pode haver discriminação tanto daquele que é menos "atraente" quanto do que é mais - ele pode ser invejado por colegas, chefias e até pelo empregador no momento da entrevista ou dinâmica. "O preconceito, no caso da beleza, tem mão dupla. O culto ao belo é algo entranhado em nossa cultura. Ser belo parece uma vantagem tão grande que, para diminuí-la, se lançam dúvidas, muitas vezes em forma de piada, sobre a inteligência da pessoa bela. É como se a beleza aliada à inteligência fosse insuportável".

Preconceitos à parte, a especialista comemora que, atualmente, as empresas têm compromisso com o profissionalismo, o que acaba igualando os funcionários. "No ambiente corporativo, qualquer um pode ser objeto de discriminação, por várias razões e circunstâncias. Mas, se o colaborador não for competente, se não gerar os resultados que o empregador espera, não terá um futuro profissional promissor. A competência, mais do que a beleza física, é o grande diferencial no ambiente corporativo".


Então, o que seria essa boa aparência desejada pelas empresas em geral? "É atributo da pessoa que demonstra cuidar bem de si, estar bem, demonstra energia e disposição, sobriedade, bom gosto e simpatia. Se a pessoa tiver essa boa aparência e os requisitos de competência traduzidos em conhecimentos, habilidades e atitudes requeridos pelo trabalho que irá desenvolver, terá alta empregabilidade. E, talvez, uma ‘bela’ carreira", finaliza a especialista.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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