Ana Jonh: do mundo corporativo para a balada

Ana Jonh do mundo corporativo para a balada

Ter coragem para mudar de carreira, arriscar em uma nova jornada e buscar uma nova profissão é algo para poucos, pessoas capazes de correlacionar seus talentos e agregá-los em uma nova função.

Especialista em marketing, com formação em universidades como FGV (Fundação Getúlio Vargas e USP (Universidade de São Paulo), Ana John permaneceu na área por 15 anos como profissional de várias empresas, entre elas, Rede Globo, HBO Brasil, Cinemark, Warner Brothers e Binda Group (Dolce & Gabbana, Ducati, Moschino e Breil Milano).

Em paralelo, ela também fazia a sua verdadeira paixão, discotecar em vários clubes e festas particulares. E não parou por aí. Também formou uma banda chamada We Have Some e na função de compositora, tecladista e vocalista, produziu músicas eletrônicas, até chegou a Sardenha (Itália), quando tocou para a D&G Dolce & Gabbana Jóias e Relógios.

As várias manifestações artísticas sempre fizeram parte da sua vida. Formada em ballet e com a música sempre "percorrendo suas veias", Ana cresceu ouvindo Ray Charles, Nat King Cole, Miles Davis, Jimmy Smith, Mozart. Através do seu mix de conhecimentos conseguiu inovar em suas apresentações, trazendo bailarinos e convidados como o saxofonista Ricardo Pires, o pianista Antônio Eudi, a cantora Angel Keys, entre outros.

Agregou o seu lado marketeiro e conseguiu criar uma personagem, ou melhor, o produto Ana Jonh. "Percebi que havia um nicho de mercado pouco explorado e uma demanda reprimida para "DJs Show", comum em outros países. Criei então uma personagem marcante, colorida, divertida e que interagisse com o público agregando o segmento de moda", diz.

Muito do que a ex-diretora já conseguiu como DJ foi graças a sua boa entrada no mundo marketing, principalmente por ter uma boa rede de contatos. "O meu network foi fundamental para lotar os eventos que promovi, para conseguir gerar mídia espontânea com os colegas jornalistas que trabalhei no passado e para abrir portas, por exemplo, aos estilistas que visto hoje como o Reinaldo Lourenço e Glória Coelho", conta.

Dessa forma, em pouco tempo de atuação, ela se apresentou no Prêmio de Cinema Nacional promovido pela MGM e Contigo!, na festa de premiação da Mostra Internacional de Cinema 2009 no Jockey Club, além de produzir as trilhas dos desfiles para jornalista Lilian Pacce em seu portal, entre outros trabalhos.

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A experiência também trouxe outra ideia. Além de montar o próprio estúdio, ela se associou a produtora Beatmasters do produtor Wendel Vicente, onde ministra o curso de Marketing para DJs. É sobre essa transição do mundo corporativo para as baladas que Ana contou para o Vila Sucesso. Talvez um empurrãozinho para quem almeja seguiu um novo rumo profissional. Logo de cara, ela já dá uma dica. "Tem um documentário muito interessante de um cineasta amigo meu, o Frank Mora, intitulado "O Ponto de Virada", vencedor da 33ª Mostra Internacional de Cinema, que mostra a mudança de carreira de algumas personalidades do mundo da música, da literatura e do teatro. Tem total adequação com a minha história e recomendo".

Como foi o seu planejamento para trocar de vez o marketing pela área musical?

Foram quase três anos para a mudança de fato. Estipulei datas e fui me especializando na nova área. Fiz diversos cursos de áudio enquanto trabalhava como executiva. Montei meu estúdio, ativei o network deste novo universo até o momento da virada.

O que a sua família achou da decisão de mudar de carreira?

MInha famíllia me apoiou totalmente. Até porque foi justamente o lado familiar o grande motivador dessa mudança. Fui casada por 12 anos e me separei há pouco mais de um ano. Tenho dois filhos e, como executiva, eu viajava muito, trabalhava 15 horas por dia e ficava muito pouco com eles. Com o meu ex-marido - e atual grande amigo - acontecia e ainda acontece o mesmo. Ele é workaholic e viaja muito. Achei que era o momento de cuidar do que é mais importante na minha vida e sempre será: meus filhos. É a oportunidade de trabalhar em casa, de vivenciar e solidificar essa fase tão especial que é a infância e a adolescência.

Como a sua formação em música e dança ajudou no marketing? Você acha que essa área necessita de profissionais com mais bagagem cultural?

A música e a dança são maneiras de expressão que envolvem e transportam as pessoas para momentos muito particulares. Sempre utilizei essas ferramentas para encantar o público em um evento, uma palestra, um treinamento, um lançamento de produto. No lançamento nacional do DVD de "O Senhor dos Anéis", por exemplo, transformei o espaço da festa em um set de filmagem. Com trilha sonora original, figurinos, cenografia e coreografia que eu mesma criei, todos os convidados eram recebidos pelos personagens do filme (atores caracterizados) em um grande ballet nos corredores do cinema. Acho que uma boa bagagem cultural é pré-requisito para se dar bem nessa carreira. A criatividade é fundamental e todas as experiências agregam.

E no caso dos DJs, você acha que muitos ainda não sabem "vender o peixe"? Como funciona o seu curso de marketing para DJs?

Vejo diariamente DJs que tecnicamente são excelentes, mas não sabem se vender. Acabam não tocando como poderiam e muitos até desistem no meio do caminho. Na Beatmasters, escola de DJs onde estudo e dou aulas, vejo DJs terminarem um, dois, três cursos e não conseguir tocar em nenhum lugar e, tirando a timidez de lado, muito em função da falta de conhecimento para isso. No meu curso procuro mostrar que todos somos um "produto". Todo produto tem seu posicionamento, seu preço, precisa de propaganda, promoção e de um ponto de venda. Além disso falo sobre networking, plano de carreira, estratégias de diferenciação com dicas valiosas e uma vasta bibliografia complementar.


Quais são as suas expectativas no trabalho de DJ?

Mais do que levar o meu show a clubes de todo o Brasil, quero poder através da música e de um microfone ajudar a construir um mundo melhor. Mostrar aos jovens de hoje que drogas, álcool, velocidade no trânsito e violência não levam a nenhum lugar. Que todos têm a obrigação de ser cidadão do mundo e colaborar com o máximo que puderem ao seu redor. Ainda terei a oportunidade de falar para centenas de pessoas, em um grande estádio quem sabe, abrindo um show de uma banda ou mesmo discotecando em algum festival.

Por Juliana Lopes

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