Alimentando corpo e alma com o Açougue Cultural

Alimentando corpo e alma com o Açougue Cultural

Foto: divulgação.

Como disse uma vez um dos grandes escritores brasileiros, Monteiro Lobato, "um país se faz com homens e livros". Mas em um país como o nosso, muitas vezes o que falta é a oportunidade de leitura - e não a falta de vontade propriamente dita.

Pensando exatamente em mudar esse quadro, o açougueiro Luiz Amorim, de Brasília, transformou sua casa de carnes num espaço cultural. Tudo começou quando ele, somente aos 18 anos, teve a oportunidade de ler o seu primeiro livro. A paixão foi tanta que Luiz decidiu arranjar uma forma de despertar o gosto pela leitura em outras pessoas. "O objetivo é trazer cultura às pessoas, levar a arte até elas", afirma o idealizador do projeto. "Ao lerem, as pessoas criam outro senso crítico. Elas pensam mais, questionam mais e isso é muito importante", completa.

No começo uma pequena prateleira com apenas dez livros deu início ao que foi chamado de "Açougue Cultural T-Bone". Depois de ouvir muitos comentários irônicos, o sonho de Luiz começou a crescer e aquela pequena prateleira foi substituída por uma estante com exemplares doados por amigos e frequentadores do açougue. Finalmente a ideia começou a tomar forma. "No começo muita gente estranhou, mas depois os clientes acharam bem interessante e a ideia foi muito bem recebida", conta.

Mas não foi tão fácil assim de conseguir um lugarzinho para os livros no meio de tanta carne. O que mais interferiu a evolução do projeto foi uma briga com a Vigilância Sanitária. No final, Luiz saiu vitorioso.

O projeto foi tomando um rumo grandioso e o açougueiro queria expandi-lo. Pensando em um local de fácil acesso, um belo dia, Luiz, usuário de transporte público, decidiu colocar os livros nas paradas de ônibus. "Queria algo que pudesse humanizar mais o espaço e levar arte para as pessoas mais humildes", explica.

Foi assim que surgiu o projeto "Parada Cultural". Hoje, 36 paradas de ônibus da capital federal receberam um tipo de estante-armário, as quais estão repletas de livros para quem quiser se aventurar, na hora que lhe convier, afinal, a biblioteca é 24h e você pode ler enquanto espera o ônibus. Nenhum livro foi roubado.

Como funciona

Todos os livros, tanto do Açougue quanto da Parada Cultural podem ser retirados para leitura. Mas nada daquela burocracia para pegar emprestado, preencher formulários enormes, comprovar que você tem boa índole e vai devolver o livro. Os livros estão disponíveis a quem quiser ler, é só passar e pegar. A única regra é devolver do jeitinho que pegou, "tudo na base da confiança", como diz Luiz. "A ideia é cidadania e não fiscalização", completa.

Por dia, de 4 a 5 mil livros são vistos, revistos e emprestados do acervo que tem desde enciclopédias até clássicos da literatura. O projeto recebe doações de livros de instituições e do próprio público. Qualquer um pode doar um livro, basta passar em um dos pontos em que o projeto está instalado e deixá-lo lá.

A iniciativa do açougueiro Luiz Amorim por certo tornou o mundo de muita gente bem mais prazeroso. "Cada esforço para trazer arte para as pessoas sempre vale a pena".

Expansão

Luiz afirma que, por enquanto, ele não tem pretensão de ampliar o projeto para outras cidades, mas de apenas aperfeiçoar o sucesso do que construiu até agora. E bota sucesso nisso.

Uma consultora da Espanha marcou para ir até Brasília, conhecer o projeto e, quem sabe, reproduzi-lo na União Européia. Além dela, a "Parada Cultural" também chamou a atenção da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, que pediu uma autorização para levar o projeto para as estações do metrô.

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No site do Açougue Cultural T-Bone (www.t-bone.org.br) é possível saber mais sobre a iniciativa. E, se você estiver em Brasília, aproveite para prestigiar uma das Noites Culturais no local.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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