Alguns cuidados na hora de encerrar uma sociedade

Alguns cuidados na hora de encerrar uma sociedade

Foto: Rainer Berg/Westend61/Corbis

Caras leitoras, muitas vezes os ciclos profissionais se encerram e por mais que não tenhamos nos planejado para isso, rompimentos fazem parte da vida empresarial, e lidar bem com isso requer tato e maturidade.

Nem sempre é assim, não se trata de uma sentença (existem sim, sociedades que atravessam o túnel do tempo), e nem tão pouco esses encerramentos precisam ser necessariamente dramáticos, traumáticos, ou do tipo mais assustador, litigiosos. No lugar disso, com uma boa dose de habilidade e racionalidade evitam-se desgastes emocionais, a epopeia no nosso "ágil" sistema judicial, e sobretudo os impactos negativos ao negócio, que tal como um filho nenhuma responsabilidade tem com o fim deste casamento.

Em resumo, é preciso entender que um rompimento pode se dar por inúmeras razões, mas saber conduzir o processo de separação, traça a linha divisória entre uma dissolução de sociedade estruturada ou conturbada, com maior ou menor impacto na condução cotidiana da empresa.

Vamos lá:

1. Uma eventual separação entre sócios, por mais que não seja desejada, pode ser prevista no contrato social ou no contrato de sociedade, onde regras claras evitam desgastes desnecessários e disfuncionais para os negócios e as relações;2. Conduza o processo munida de paciência e tranquilidade. Por mais preparada que você esteja para enfrentar essa etapa, é bem possível que a outra parte não esteja e o sucesso do processo está diretamente ligado ao formato final, que será sempre fruto de uma estruturação que não deixe margem para dúvidas, e nem cicatrizes que venham a se abrir em dolorosas feridas no futuro, atrapalhando a vida empresarial e profissional dos ex-sócios;3. Se possível auditem os números da empresa, por meio de um grupo especializado e isento da condução do processo de apuração de direitos e obrigações;4. Seja ágil naquilo que lhe couber, pois a burocracia oficial envolvida não será, e isso potencializa as possibilidades de desgaste que eventualmente você já tenha conseguido evitar;5. Ao decidirem se separar, estabeleçam um acordo para conduzirem o processo, que eventualmente pode envolver o sigilo diante de colaboradores, fornecedores e clientes. Isso não apenas organiza a condução da dissolução como protege a empresa e os sócios envolvidos de boatos, fofocas e outras conversas de corredor totalmente desprovidas de qualquer valor agregado;6. Se possível, e sobretudo se a carga emocional envolvida for maior do que a capacidade das partes para administrá-la, contratem um mediador isento;7. Por último, independentemente de todos os cuidados, caso a separação seja conturbada nos seus motivos já na origem, evitem as cansativas ladainhas com troca de acusações e atribuição de culpas, e no lugar disso, saibam que assim como em qualquer desastre, nada acontece fora de um roteiro tomado pela sucessão de erros e equívocos. Por isso, calma e tolerância devem ser ingredientes cultivados em todas as fases do processo.

Boa sorte!


Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial, empresa que atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.

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