A riqueza do artesanato brasileiro

A riqueza do artesanato brasileiro

Diná Rocha na Mega Artesanal. Foto/Divulgação

Parece que as mulheres brasileiras já nascem com o dom do empreendedorismo. E quando misturam isso ao talento com trabalhos manuais o resultado só pode ser o sucesso profissional. O mercado do artesanato comprova isso em números. Para se ter uma ideia, a venda de trabalhos artesanais corresponde a 2,5% do PIB brasileiro.

Entre os 8,5 milhões de artesãos, 87% deles são mulheres, que tem nele sua principal fonte de renda. Sabendo desse potencial, muitas delas são presença garantida em feiras do setor. Eventos como a Mega Artesanal, que reúne profissionais de todo Brasil até o dia 4 de julho, onde são apresentados trabalhos em várias técnicas, como biscuit, quilling, pintura, decoupage, entre outras, em móveis, objetos de decoração, além de roupas de cama, mesa e banho.

A empresária Diná Rocha resolveu investir na pintura em country americano. Conforme ela mesma explica, nesta técnica feita principalmente em móveis de madeira para casas de campo, são usados desenhos de animais, flores e tudo que lembra a vida campestre.

Como grande parte dos artesãos, o início é tímido, sem grandes pretensões. Depois de começar com técnicas mais simples de pintura decorativa no fundo da própria casa, ela passou a freqüentar a Mega Artesanal e conseguiu algumas alunas que se encantaram com o seu trabalho. "Logo na primeira vez que eu fui 9 mulheres me procuraram", conta.

Mais de dez anos depois, ela uniu esforços como o marido, que largou o trabalho com seguros, e juntos montaram o próprio ateliê, isso no bairro da Mooca. "Ele faz o restauro dos móveis e eu ministro as aulas para mais de 60 alunas, o que garante um faturamento de até 18 mil reais, com uma margem de lucro de 12", diz orgulhosa. E pensar que no início, Diná mal tinha as peças para trabalhar.

Hoje em dia, ela ainda tem no portfólio quatro DVDs com técnicas variadas de pintura. E aposta na técnica de Still Life, ou pintura realística, que tenta reproduzir em vários objetos, peças de cozinha ou decoração, figuras da natureza ou do próprio ser humano de forma mais real possível.

História semelhante é a de Sara Hayashi, de 44 anos. O envolvimento com o artesanato também foi por acaso, em um curso de patchwork. Após dois anos de Mega Artesanal, ela ampliou o negócio e já tem o seu stand próprio, assim como Diná. "Geralmente as artesãs começam em mesas espalhadas pela feira e quando dão certo bancam o próprio stand", diz.

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Ela e sua mãe, dona Kyoco, preferiram não investir em uma loja física, pois não iria sobrar tempo para dar conta das encomendas. "O mercado das feiras foi mais proveitoso para nós. Fazemos aplicações em colchas, mantas, almofadas e toalhas de mesa que são vendidas para os lojistas e o consumidor final". Para as empresárias será mais vantajoso manter uma loja virtual, com previsão de entrar no ar em Agosto desse ano. "No início tinha apenas uma loja de aviamentos e o meu faturamento era de quatro mil reais, este dobrou quando comecei a investir no artesanato", conta.

Se a parceira não é com o marido ou a própria mãe, basta reunir as amigas e juntar os talentos. Foi assim que um grupo de 50 mulheres de Minas Gerais, comandados por Nilda Romeiro, fundaram as "Mulheres da Vila". Donas de casa que conseguem através do trabalho manual fazer peças exclusivas com vários tipos de aplicações em patchwork. O resultado está em saias, vestidos e blusas românticas, uma graça! Já a artesã Matilde Andrade preferiu investir no quilling, técnica em que várias tiras de papel são recortadas, enroladas e moldadas para criar formas, trabalho que rendeu o prêmio de "Revelação do Ano" durante a Mega Artesanal.

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Quem quiser conferir estes e mais trabalhos cheios de capricho, até se aventurar no mundo do artesanato, a feira é realizada no Centro de Exposições Imigrantes - Rod. dos Imigrantes, Km. 1,5 (São Paulo/SP), até este domingo.

Por Juliana Lopes

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